DANDO A VOLTA POR CIMA

As pesquisas de opinião pública são ótimas para indicar o retrato de uma situação de momento. Com elas podemos saber, por exemplo, a preferência do brasileiro, indo da postura sexual à política. Podemos, também, saber quem é favorito para uma eleição e o que os eleitores mais desejam para os seus municípios.

Se estas pesquisas são públicas e publicadas, existem vários outros casos em que elas servem para indicar tendências e permitir que empresas e governos se antecipem, tomando iniciativas e iniciando ações que irão atender ao desejo da população, do público, do eleitor ou de um determinado segmento social. Podemos, ainda, ter um retrato do que o cidadão pensa de suas várias instituições.

E foi para saber o que o brasileiro pensa de algumas instituições que o Ibope, um dos mais reconhecidos institutos de pesquisa brasileiros, foi às ruas e ouviu os brasileiros. No final, um resultado que, pelo menos para mim, foi surpreendente. A instituição em que o brasileiro mais confia é nos militares. Fiquei surpreso por ter vivido na época em que os militares estavam à frente do país e da péssima imagem que tinham e que mantiveram por muito tempo.

A democracia, neste caso, parece que fez bem a eles. E os militares voltaram a ser admirados. Deram, assim, a volta por cima, recuperando a imagem. E conseguindo, nesta recuperação, ficar à frente de instituições como a mídia – meios de comunicação – e Igreja Católica. Um dado interessante, e que mostra o interesse que o tema desperta, é a confiança nos ambientalistas. Eles ocupam o quarto lugar, depois dos militares, da mídia e da Igreja.

Aparentemente, para as gerações mais novas, os militares não mais carregam a mancha de terem derrubado um Governo legítimo, o de João Goulart, e de terem, em alguns momentos, imposto o terror e a censura a todo o Brasil. O regime militar, a ditadura, ficou para trás. Tornou-se, na verdade, história. E ela acabou apagando o papel que os militares exerceram.

Em 20 anos, saíram da estigma para a estima. Sem dúvida, uma bela mudança, fruto, certamente, da mudança da mentalidade dos brasileiros. E do fato de termos toda uma geração que não viveu o regime militar, não viveu a censura, não viveu o medo. Fica, neste caso, o papel institucional dos militares. O que eles fizeram – e, faça-se justiça, não foram todos – virou história.

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