CAMINHANDO PARA O ARTIFICIAL

Todo mecanismo, por melhor que seja construído, sofre desgaste. E não é diferente com o corpo humano. À medida que crescemos e envelhecemos, nosso corpo vai mudando, acompanhando o desenvolvido da própria idade, o que cria, para muitos, uma incerteza, uma sensação de perda que buscam consertar com cirurgia estética.

Aliás, a estética – inclusive o seu lado cirúrgico – tornou-se a maior indústria da medicina. Já vi casos em que médicos trocaram de especialidade, deixando de ser cardiologista para ser cirurgião plástico sob o argumento que este tipo de procedimento é o que dá dinheiro. E já vi, também, pessoas – sobretudo, mas não somente às mulheres – engrandecendo um ou outro profissional que “cuidou” dela e corrigiu os “defeitos” que a natureza lhe impôs.

A chamada cirurgia estética ou cosmética é hoje uma realidade. Basta ver o movimento em consultórios de especialistas e, mesmo, em clínicas voltadas para este tipo de atendimento. E na busca da beleza, do corpo perfeito, de consertar ou fixar o que a natureza mudou, as pessoas correm o risco inerente a qualquer cirurgia. Quando ela é feita por cirurgiões renomados e em hospitais de ponta, estes riscos são menores. Mas muitas vezes elas ocorrem em pequenas clínicas, mal aparelhadas e que colocam um risco adicional em uma operação.

Em princípio, sou contra cirurgia estética. Acho que isso artificializa quem a faz. Vejo isso claramente e acho que, somente olhando para alguém, sobretudo se tiver uma determinada idade, dá pra ver o efeito das cirurgias estéticas, começando por um rosto esticado, sem nenhuma ruga. Ora, ninguém pode se livrar, de modo natural, dos efeitos da natureza e quando corrige esta ação, o resultado está, literalmente, na cara.

Não sei como é em outros países, mas em relação ao Brasil, o que tenho lido é que vem gente do mundo inteiro para “se reparar” aqui. Com isso, a cirurgia estética cresceu e virou, mesmo, uma indústria, inclusive oferecendo financiamentos de longo prazo para quem quer a ela se submeter. Criou-se o mito da eterna juventude, conseguida mediante o bisturi de um cirurgião.

E consolidou-se a ideia de que podemos repor, de modo artificial, o que a natureza ou não nos deu ou nos retirou, como é o caso dos seios e de outras partes destacadas do corpo. Se retira de um lado e coloca do outro, o resultado é que estamos, mais e mais, caminhando para o artificial, substituindo o que a natureza nos deu por silicone, espichamento de pele, correção de nariz e orelhas, lipoaspiração, etc.

O que estamos presenciando é a artificializarão das pessoas. E isso está ocorrendo em todos os segmentos – jovens, adultos, homens e mulheres. Ficou muito fácil – embora não seja nada barato – corrigir o que consideramos pequenas imperfeições mediante o uso do bisturi. E em alguns casos, a cirurgia estética substitui o esforço, como é o caso do emagrecimento mediante lipoaspiração. Fazendo-a, nos livramos do sacrifício dos exercícios físicos ou de uma alimentação mais balanceada.

Olho esta questão de modo crítico. E pessoalmente, sou contra este tipo de procedimento. Não o adotaria para mim, nem recomendaria a ninguém. Mas reconheço que é difícil, sobretudo no lado feminino, remar contra a maré. E é por isso que criamos uma “indústria” que promete beleza eterna. Será? O que você acha?

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