AMIZADE, CASAMENTO E BISBILHOTICE

Você é casado (a)? Como é o seu relacionamento com a família do marido/esposa?

Nos dois casos, tenho certeza que muita gente irá responder Sim para a primeira pergunta e poderia explicar que se relaciona bem com a família do cônjuge ou não se dá bem com ela. Às vezes casamento e amizade não combinam, principalmente quando se trata de sogro, sogra, cunhados e cunhadas.

Estou dizendo o que é bastante óbvio, se é que cabe o vocábulo “bastante”. Tenho visto pessoas que se dão muito bem com os familiares da esposa – sou um desses – e que tem problemas, não querendo nenhuma proximidade e chegando ao ódio. Podemos analisar os dois lados e vamos descobrir que todos acham que tem razão para a postura que adotam.

Não fico mais surpreso quando encontro pessoas que gostam e que não gostam da família ou de familiares do esposo/esposa. Mas ainda me surpreende que tais assuntos sejam discutidos publicamente à mesa de um restaurante lotado. E é aqui que entra a bisbilhotice do título, que acabou sendo involuntária devido ao volume da conversa na mesa ao lado da que estava.

Eram trás amigas. Delas, uma falava o tempo todo e o objeto da conversa era só um: a família do marido. Pelos perfis que traçou, ninguém que tivesse um mínimo de senso se aproximaria dela, mesmo considerando que o marido de quem falava era pintado como um anjo. As irmãs dele, verdadeiras cobras, invejosas, recalcadas, mal amadas. Os maridos das cunhadas, prepotentes, estúpidos, avaros e mal amados. Ela, como se podia prever, não suportava ninguém – irmãs do marido e seus maridos.

Durante mais de uma hora ouvi as reclamações, como o pedido da irmão do seu esposo, que queria a bolsa de grife que usava, embora fosse casada com alguém que tinha mais dinheiro do que eles. Fiquei imaginando o quadro: de um lado, dois anjos – a bonita senhora que reclamava e seu marido. Do outro, megeras e ogros. Não havia compreensão, não havia carinho, não havia compaixão. Nada. A mulher falante tinha tudo. Suas cunhadas e os maridos delas, tinham bens materiais, mas não amor.

O quadro pintado era da oposição entre o bem – ela e o marido – contra o mal – as cunhadas e os maridos delas. As coisas, como todos sabemos, não são preta e branca. No meio existem vários graus de cinza. Nunca é nós contra eles. É possível que a reclamante tenha até razão em alguns dos aspectos que levantou, mas eles não podem ser simplesmente maus e o marido, inteiramente bom. Por mais que não queiramos, sempre trazemos muito da família.

Além do mais – como também sabemos – as antipatias surgem do nada. Não terá sido o caso de ela ter contribuído para a forma como cunhadas se portaram em relação a ela? Não sei. O que ficou da minha bisbilhotice foi a reflexão de como as pessoas conseguem erguer muros entre os que amam e aqueles que não gostam. Foi o que aconteceu neste caso, com ela confessando que o irmão, no final e por causa dela, não via as irmãs com regularidade.

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