A INTERNET E O NOSSO AMANHÃ

Como será o amanhã? Esta é uma questão que todos nos pomos e que gostaríamos de ter como responder. Como o futuro, já disse alguém, a Deus pertence, só nos resta viver o presente e almejar que o futuro, além de diferente – pois certamente ele será – seja melhor do que o hoje, principalmente em nossas vidas pessoais. A questão, aqui, no entanto, não é o futuro pessoal, mas da internet e a pergunta se aplica a ela, buscando uma antecipação do que teremos dentro de alguns anos mais.

Se você quer mesmo um panorama do que será, busque um futurólogo de plantão. Afinal, sobre a internet é muito mais fácil dizer o que ela não será ou o que é hoje. Uma coisa é certa, ela terá cada vez mais participação em nossas vidas, como o caminho iniciado de os aplicativos que usamos no dia a dia migrarem para a web ou, no mínimo, embeberem o código da web neles, o que permite o seu uso online. Veja-se, neste caso, o Google Docs ou a anunciada intenção da Microsoft de oferecer aplicativos na Web.

A melhor forma de tentar entender como será o amanhã é entender o hoje. E uma das bases do entendimento são os números globais deste sistema que é descentralizado e tem milhões de pontos, milhares de provedores, milhões de usuários. Nele, os números são superlativos como mostra um recente estudo feito pela Arbor Network, que por dois anos monitorou o tráfego de mais de 100 dos principais provedores mundiais de internet. O que ela descobriu?

Dentre outras coisas que, em um dia de pique, trafegam pela rede, em todo o mundo, mais de 12 terabits/segundo de dados. Não me pergunte quanto é isso. Só sei que é muito. Nos dois últimos anos, o volume de informação que circulou na internet – e na web – passou dos 256 exabytes, que também é um volume imenso de dados. E estes números estão em crescimento, exatamente por mais e mais empresas oferecerem serviços online, retirando os dados dos nossos computadores e os colocando em imensos centros de “estocagem”. Este, mais uma vez, é o caso do Google, que tem centros de processamento em várias partes do mundo.

Um dado do estudo que me chamou a atenção e acabou gerando este artigo, é a concentração que começamos a ter na internet. A ideia de que ela é descentralizada e não pode ser controlada, uma das bases do seu nascimento, ainda como rede militar, começa a mudar. De acordo com os dados da pesquisa, 30 empresas – que ele chama de super-gigantes – já controlam 30% de todo o volume de dados que trafegam na grande rede. É um número impressionante, admitem os pesquisadores, acrescentando que a tendência é que a concentração cresça.

O exemplo dado são dos cinco maiores grupos da internet e online, começando pelo Google e YouTube, que a ele pertence, passando pelo Facebook, Microsoft e, pelo menos para mim, a desconhecida Limelight, uma provedora de serviços para conteúdos. O que o estudo diz, para destacar a mudança, é que há cinco anos o tráfego da internet era proporcionalmente distribuído, feito por cerca milhares de provedores em todo o mundo. Hoje, este tráfego – e o consumo que ele gera – está se concentrando, primeiro, nos supergigantes, e depois em um número menor de provedores que oferecem serviços de internet a terceiros.

As mudanças estão criando o que a Arbor Network chama de um novo ecossistema para a internet, pelo menos para a que é comercial. E esta mudança está sendo fomentada pelos grandes, pelos supergigantes, capazes de descentralizar serviços ao mesmo tempo em que oferece capacidade quase infinita de armazenamento e total segurança para quem faz parte de suas redes. A descentralização continuará, pequenos provedores ainda continuarão atuando, mas a tendência apontada pelo estudo é no caminho da concentração.

Se tomarmos como base o estudo e os números que ele nos apresenta, podemos responder a pergunta inicial e dizer que o amanhã, pelo menos no que se refere à internet, será dos grandes, dos supergigantes. Eles terão um papel cada vez mais proeminente nesta nova ecologia da internet. Será isso bom ou mau? Só o futuro dirá.

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