ETERNO, ENQUANTO DURE

“Mas que seja eterno, enquanto dure”.

O verso de Vinícius de Moraes tornou-se, por força da música que ele ajuda a compor, uma forma de dizer que o amor pode não durar para sempre, mas que, enquanto durar, deve ser vivido intensamente, marcando os relacionamentos. Mas é quando o amor acaba, o que acontece? Para começar, os relacionamentos acabam.

Mas não é só isso. Além do fim dos relacionamentos há muito mais. E parte do que acontece após o fim do amor acabou sendo relatado em uma matéria do jornal A Tribuna, do Espírito Santo. É claro que o jornal acabou relatando apenas o lado curioso da questão, das disputas mesquinhas envolvendo pequenas coisas. Não falou – até porque isso não chamaria a atenção – dos relacionamentos que terminam sem problemas, com as pessoas que dele participaram.

O destaque, como já disse, são para os problemas. E eles ocorrem pelas menores coisas. Um casal, após a separação, foi à Justiça disputar os panos de pratos e os ovos – é isso mesmo, ovos – que haviam ficado no fim do relacionamento do casal. Imaginem, um caso judicial para se discutir a propriedade de alguns panos de prato, usados, e poucos ovos. Absurdo, não?

Não tão absurdo quanto a do marido que, após a separação, retornou à casa, que havia ficado com a mulher, e serrou ao meio todos os móveis que, antes, pertenciam ao casal. O caso, como o anterior, acabou na Justiça, que determinou ao marido, ou melhor, ex-marido, que indenizasse sua ex-esposa, permitindo que, com o pagamento, ela pudesse comprar novos móveis, que preencheriam, de novo, a casa.

Este caso, no entanto, não é melhor do que o casal que, após o término do relacionamento, foi à justiça – mais uma vez, ela. De um e de outro lado, reclamações contra o parceiro. Quando foram convocados para a audiência em que a questão seria decidida, acabaram confessando que nada do que haviam dito era verdadeiro. E acabaram se reconciliando. E o que falar, então, das razões para a separação?

É um aspecto interessante do relacionamento. Afinal, mesmo com uma convivência anterior ao casamento, os pares não se conhecem muito bem. Por isso, acabam se deparando com algumas surpresas. Como foi o caso de um pedido de divórcio baseado no fato de que, todas as vezes que iam fazer sexo, a mulher lambia sua orelha. Neste caso – e o jornal afirma que está no processo – a mulher declarou que sempre detestou isso. E a coisa foi crescendo, até se tornar insuportável e acabar com o casamento.

Bom, e para que não fique muito longo, a última, que é a separação causada por causa do mamão. Conseguem imaginar o que aconteceu? Não, não foi nada do que estão pensando. O marido, depois de um longo tempo, pediu o divórcio alegando que detestava mamão e o comia obrigado pela esposa. Inicialmente, relatou, aceitava o mamão como uma concessão à esposa, já que estavam começando. Mas como ela amava a fruta, ele era obrigado a comê-la quase todos os dias. Até que, em um deles, chegou ao limite, chutou o pau da barraca e pediu o divórcio. Assim, livrou-se do mamão.

São algumas histórias. Mas todas elas mostram, no meu entender, o acerto do verso do Vinícius. O amor deve, mesmo, ser eterno enquanto dure. E ele só dura quando há concessões e elas levam ao entendimento. Se comer mamão é algo impensável, que um o coma e o outro não. Talvez se o tivessem feito o divórcio não aconteceria. Mas, quem sabe? Seguramente ninguém pode prever como será o amanhã.

E muito menos em um relacionamento. O amanhã ainda vai acontecer e ele pode, tanto, contribuir para prolongar ou para acabar com o amor. E separar quem, ontem, foi apaixonado.

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