Os números impressionantes da tecnologia que não vemos

VIVENDO NA MATRIX: A VIRTUALIZAÇÃO DA VIDA HUMANA

A trilogia Matrix nos mostra um mundo distópico em que os humanos vivem virtualmente. Ficção? Em se tratando do filme, sim. Olhando-se para o mundo de hoje e como nele vivemos, é parcialmente realidade, como mostram os números levantados pela Domo e divulgados pelo Visual Capitalist.

A tecnologia que não vemos, consubstanciada na Internet, nos aplicativos e nos dispositivos móveis, está transformando nossas vidas em virtuais, cada vez mais. Os números demonstram que a virtualização é uma realidade. Tome-se apenas o primeiro exemplo, do Zoom. A cada minutos nada menos que 208 mil anfitriões abrem uma sala nele e começam uma conversa virtual.

Parece muito, não é? Mas é um número pequeno comparado com o WhatsApp que, por minuto, recebe 41 milhões de novas mensagens. Nos dois casos, são números exponenciais e nos dão uma visão de como usamos a tecnologia, mesmo sem perceber que a estamos usando, já que entranhada em nossas vidas.

NÚMEROS IMPRESSIONANTES

Talvez você não tenha ouvido falar do Reddit, portal comunitário com os mais variados assuntos, acessado por mais de 479 mil pessoas a cada minuto e sou um deles. Nesse mesmo padrão vem o Instagram, que a cada minuto recebe 347 mil diferentes stories, mais de 20 milhões a cada hora.

O Facebook que é, dentre os aplicativos que agregam pessoas um dos maiores, recebe 147 mil fotos por minutos, quase 9 milhões por hora. Mudando do texto e de fotos para os vídeos os números não ficam menos impressionantes. Na Netflix, a cada minuto são vistos 400 horas de vídeo e esse número é maior no Youtube chegando a 500 horas por minuto.

Ao lado desses aplicativos, temos milhares de outros e todos tem considerável acesso. O compartilhamento, seja qual for, acaba criando um imenso mercado para compras, entretenimento, jogos, transferência de dinheiro e entregas, dentre outros. É a vida sendo virtualizada, de certa forma, semelhante ao que ocorre na Matrix. E nós somos os primeiros a engajar nessa virtualização, já que estamos, de um ou outro modo, mais e mais dependentes do on line que a Internet e a tecnologia nos proporciona.

A virtualização nos traz um lado bom, se olharmos em relação à informação e às facilidades de comunicação, de interação e de compras, dentre outras facilidades que nos oferece. Mas há, também, um outro lado, composto por aqueles que não tem acesso a este tipo de tecnologia, que não são poucos.

O LADO DOS DESPOSSUÍDOS

Segundo o Virtual Capitalist 4,5 bilhões de pessoas estão conectadas à Internet. Como a Terra tem 7,5 bilhões de habitantes, é só fazer a conta e ver que quase 43% estão fora dela, o que os torna, em princípio, cidadãos de segunda classe. Como já disseram, a tecnologia não é boa, nem má. O que determina sua classificação é o uso.

Hoje, como vivemos, bilhões se beneficiam do que a tecnologia nos oferece. Mas bilhões estão excluídos. Temos um lado positivo e um negativo. O fosso entre os que tem e os que não tem está se alargando, transformando-os mais e mais em despossuídos. Como disse o primeiro ministro do Canadá, Justin Trudeau, acesso à internet e à conexões de alta velocidade hoje é um direito de cada cidadão.

E o amanhã, como será? Não dá para prever o futuro, mas olhando o avanço da virtualização podemos dizer que ela irá avançar, colocando-nos em um mundo virtual, tal como o de Matrix. Será que viveremos em uma distopia? Só o futuro é que nos dirá.

Reconhecimento facial, tecnologia de adoção crescente

RECONHECIMENTO FACIAL, PARA O BEM OU PARA O MAL

A tecnologia em si não é boa, nem má, tem nos ensinados filósofos desde há muitos anos. O que determina como ela se tornará é a sua utilização. É nessa hora que determinada tecnologia pode se tornar má ou boa. Ou até pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Já há alguns anos estamos vivendo uma revolução tecnológica. Tome-se por base o telefone celular e recue 10 anos. Ele era rudimentar. Em uma década, deu um salto, transformando-se na extensão de nossos braços e nos ajudando a comunicar e a nos divertir, trazendo informação e lazer.

Se o resultado provocado pelo celular é bom ou mau, resta discutir. Existem os que pensam que o impacto por ele causado está criando problemas. Outros, o veem como um bom avanço. Saber se é bom ou não, não se prende ao celular, mas a toda nova tecnologia.

Vamos tomar como base um novo campo que está avançando a toda velocidade: o reconhecimento facial. No caso do iPhone, da Apple, ela descomplica mexer no aparelho e nos aplicativos que podemos ter nele. Na vida, de um modo geral, há quem afirme que estamos muito próximos do Grande Irmão, como no livro 1984.

Quem hoje está mais avançada no reconhecimento facial e o utiliza intensivamente, segundo especialistas, é a China. Seus cidadãos podem ser reconhecidos por ela no trabalho, nas ruas, nas compras, etc. O que esta quase onipresença nos traz é o fim da privacidade, o que nos pode levar a um grande reality show – aliás, dos programas preferidos nas TVs do mundo todo.

O reconhecimento facial é uma nova tecnologia e tem por trás outros dos modernos avanços, a inteligência artificial. É a partir dela que algoritmos são treinados para determinadas tarefas, uma das quais analisar e reconhecer as pessoas. Mas não só elas. Também placas de carros, objetos, mercadorias e muito mais.

O que vivemos, de acordo com especialistas, é o liminar de um novo tempo, com a inteligência artificial podendo ajudar o homem em vários campos, indo da medicina à manipulação de objetos e, chegando em casa, com robôs que irão assumir as tarefas repetitivas diárias exercidas por pessoas.

O que temos, nos tempos atuais, é a excitação com o avanço, de um lado, e o medo, do outro. A questão é onde vamos parar e as consequências desse avanço. Ele será para o bem ou para o mal?

Confesso que não sei dizer. E você, qual é sua opinião sobre o avanço da tecnologia? Dê sua opinião.

Midia Social e o impacto negativo nas pessoas

A MÍDIA SOCIAL E OS PROBLEMAS QUE NOS CAUSAM

A mídia social, acaba de revelar recente estudo, está nos causando problemas, embora haja, também, coisas positivas a ela relacionada. Como todos somos, hoje, usuários bastante intensivos desse tipo de mídia, o estudo chamou minha atenção.

O que ele diz? O primeiro ponto é a possibilidade que nos oferece de expressão e comunicação, quase infinitas. Mas não é, como ressaltei, no lado positivo que o estudo se foca. Ele relaciona e procura explicar o que de negativo a mídia social está nos trazendo, criando um verdadeiro problema de saúde.

O primeiro ponto é o tempo que nos dedicamos a ela: quase três horas diárias. É muito. E nos tira tempo de outras atividades, incluindo os relacionamentos pessoas, encontrando-se com pessoas de carne e osso. Sem contar que é viciante e o impulso da maioria é sempre dar uma “olhadinha” para ver o que está acontecendo.

Mas a ocupação do tempo é o menor dos problemas. Um dos pontos que mais me chamou a atenção é a perda do sono. E não só, a perda da qualidade dele. Dormir, nos dizem os especialistas, é essencial para o descanso do corpo e da mente. Se não dormimos bem, nosso dia não é bom. E neste caso, a mídia social está criando impacto negativo em muitas pessoas.

O segundo ponto é o medo de perder alguma coisa, o que gera a ansiedade e, unidas, nos deixam estressados e ansiosos, o que pode levar à depressão, outra das consequências da overdose de mídia social que temos todos os dias.

Há, ainda, o bullying, que tem causado transtornos às pessoas, com casos até de suicídio de quem foi atacada por seguidores ou leitores. Se revela a fragilidade da pessoa, expõe um lado negro do uso desses meios.

E para fechar temos, ainda, o problema de imagem, sobretudo quando se trata do Instagram. O que vemos são imagens maravilhosas, mulheres e homens perfeitos. E quando nos olhamos no espelho, não é o que vemos. A comparação é inevitável e acaba nos trazendo a ideia é que estamos à parte desse mundo e que só nós não nos enquadramos no padrão estético.

Não encontrei previsões para o futuro – e elas, como sabemos, nem sempre funcionam – mas há uma genuína preocupação com o uso da mídia social, sobretudo pelos mais jovens, adolescentes e estudantes. E os estudos feitos indicam que, também neles, o impacto é negativo.

Como vivemos nos tempos da hiperconectividade, somente daqui algum tempo é que vamos ver, efetivamente, os resultados do uso da mídia social. Mas os estudos feitos podem nos servir de alerta para que tenhamos uma posição mais crítica em relação a mídia social.

Os altos ganhos na tecnologia aumentaram a desigualdade em São Francisco

ECONOMIA, DESIGUALDADE E O FATOR TECNOLOGIA

A tecnologia, por princípio e em si, não é boa nem má. O que a torna benéfica ou não é a forma como é usada. É isso que faz a diferença e, se olharmos em perspectiva, podemos constatar que a tecnologia e os avanços que ela ocasionou foram, em sua maioria, em benefício do homem. Este fato, contudo, não impede que os benefícios ou malefícios da tecnologia para o homem seja objeto constante de discussão. Um dos pontos em destaque, nos últimos tempos, é a discussão sobre a desigualdade criada pela tecnologia, algo que começou em São Francisco, nos Estados Unidos, que é, sem dúvida, o maior pólo tecnológico do mundo e onde estão concentradas as maiores empresas do setor – Apple, Google, Facebook, etc.

O centro da discussão em São Francisco é que a remuneração dos empregados destas grandes empresas, técnicos de alta especialização, está mudando a situação na cidade, expulsando dela os moradores “comuns”, que não tem ganhos nem próximo dos deles. Uma das consequências é que morar na cidade é muito caro e como vivemos em um sistema capitalista, os donos de imóveis querem ganhar mais e acabam forçando a saída de inquilinos para hospedar a nova elite da cidade. No final, isso acaba tornando a cidade muito rica e, ao mesmo tempo, pobre, destacando a desigualdade entre os que ganham muito bem e aqueles que, no final do mês, recebem um contra-cheque comum, pois não estão vinculados à indústria tecnológica.

Esta discussão serve para ilustrar a preocupação da cidade e, no rastro dela, a maior novidade é estudo promovido pela União Européia exatamente sobre os ganhos do pessoal da área de tecnologia. O relatório ressalta e reforça o que já acontece em São Francisco e nos revela que a desigualdade, criada a partir dos altos salários pagos a técnicos altamente especializados, chegou para ficar e, na visão do estudo, tende a piorar nos próximos anos, na medida em que a tecnologia afetar ainda mais nossas vidas. O capitalismo, todos sabemos, não é o regime da igualdade, mas o mundo tecnológico tem tornado isso ainda mais evidente. O que os dados da União Européia nos mostram é que a situação existentes no Vale do Silício está se repetindo em outros locais e que não há perspectiva de que mude em curso ou médio prazo, equilibrando os ganhos e estreitando o fosso hoje existente.

Neste caso, a tecnologia não é boa, como fica evidente pelos números. Nos Estados Unidos, o ganho médio das famílias é de cerca de 50 mil dólares por ano. No Vale do Silício, é muito maior. Um empregado em posição intermediária em uma das grandes empresas de tecnologia ganha mais de 10 mil dólares mensais, o que significa que em apenas cinco meses uma só pessoa ganha mais do que uma família que não está vinculada ao mundo tecnológico. Há, ainda, outro fator a considerar. Como os salários médios são calculados com base no total de recebimentos dos que tem emprego, a média acaba distorcida pelos ganhos muito superiores de quem é especializado e trabalha no setor de tecnologia. Assim, na verdade, a desigualdade é muito maior.

Esta é a realidade. E é um caso típico de a tecnologia, neste caso, não ser uma coisa boa.

Os programas de antivírus já não oferecem proteção no mundo virtual

ANTIVÍRUS: COMO FICA NOSSA SEGURANÇA?

Quem usa computador e, através dele, a Internet vem ouvindo há anos que é essencial ter um bom antivírus como força de proteção de todos os vírus, malware e outros bichinhos que estão tentando, a cada hora, infectar nossas máquinas, roubar nossos dados e usá-los, muitas vezes, contra nós. A necessidade de proteção ficou maior, ainda, com a chegada dos dispositivos móveis, como tabletes e smartphones, que também podem ser atacados. O apelo por segurança é tão forte que praticamente todos nós acabamos virando meio paranóicos quando o assunto é um ataque cibernética.

Este assunto é muito atual e, sobre ele, cabe uma pergunta: Você confia no seu antivírus? Se disse sim, está certo. Mas se disse não, também está correto. Paradoxalmente, os programas que tentam detectar e impedir que os vírus se tornem ativos são confiáveis e não confiáveis, como muito bem lembrou Brian Dye, da Simantec, desenvolvedora de um dos mais conhecidos antivírus, o Norton. O que ele disse? Que os programas como o que sua empresa distribuem estão condenados ao fracasso E ele tem uma boa explicação para a sua afirmação:

 O mercado de malware só tem crescido e os hackers estão mais voltados para os ciberataques, deixando de lado os emails contaminados”. Sim, o que Dye disse é para você se preocupar, pois ressalta que o melhor antivírus só detecta menos da metade dos problemas que podem atacar seu computador. E que, em muitos casos, quanto o malware ou vírus é detectado, ele já mudou, transformando-se em outra coisa. Segundo ele, os vírus, hoje, tem a duração de um dia, sendo renovados e, com isso, dificultando sua detecção.

Mas o que ele aconselha? Em simples palavras “Controles de dano”. Sabendo que é praticamente impossível você impedir que o ataquem, é melhor preparar-se para o controle dos danos causados pelos ataques. Aqui mesmo, no blog, já fomos invadidos algumas vezes e um dos resultados disso é a troca de idioma, que faz com que o nosso português apareça cheio de caracteres estranhos, como podem ser vistos ainda em alguns artigos e na maioria dos comentários, estes últimos ainda levarão tempo para serem acertados.

De certa forma, o que Brian Dye nos disse é o que já sabíamos, que temos de viver, pelo menos no que se refere aos meios eletrônicos, com a sensação – sim, a realidade – de insegurança. Mesmo que tomemos todas as medidas de proteção, elas cobrem apenas uma parte dos problemas, deixando, de outro lado, avenidas abertas para quem só pensa em como explorar os dados dos outros, começando com as próprias agências governamentais do tipo NSA, dos Estados Unidos.

No final, cada um de nós, quando se trata do mundo virtual, está por sua própria conta.

Hoje, com a presença na Internet, a privacidade é sempre muito relativa

SEGURANÇA E PRIVACIDADE? NÃO!

A divulgação de documentos secretos da Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos – NSA, na sua sigla em inglês – nos colocou diante da evidência que a privacidade de todos aqueles que usam a internet depende, em primeiro lugar, de não haver espionagem, seja dos Governos, seja de empresas que nos rastream, colhem e arquivam os mais diversos dados. Em uma era em que todos estamos interligados, a privacidade tornou-se uma coisa muito relativa e nem este foi, no princípio, o objetivo de quem imaginou uma rede distribuída pelo mundo, sem um centro e com capacidade de continuar funcionando, mesmo que um de seus centros fosse atacado.

Estávamos vivendo o início da guerra fria e a internet, no seu conceito, nasceu para ser distribuída, não centralizada, não ter uma autoridade central, mas vários pontos que poderiam ser interligados, de forma que mesmo diante de um ataque nuclear, continuasse funcionando. A ideia militar era dispor de informações em quaisquer circunstâncias e é isso, também, que quem usa a rede hoje busca. Nela, tem de tudo. Basta procurar para achar e nesta busca se incluem nossos dados pessoais, as comunicações que fazemos e o que dizemos em nossos blogs, emails e outros tipos de mensagens.

Então, qual é a lição que aprendemos com a divulgação dos documentos da NSA? Que existe espionagem entre Governos? Isso é feito desde que nos reunimos em grupos, com interesses diferentes. Então, não é novidade, nem uma nova lição. Se olharmos a questão do lado da privacidade, é ilusão pensar que a temos. Somos nós, em primeiro lugar, que fornecemos nossos dados para sites de relacionamento, emails diversos, sites de compras e vai por aí afora. E isso tudo sem levar em conta as centenas, milhares de cookies que estão colhendo dados de nossa navegação na internet.

No que se refere à segurança, é outra coisa. Mas é certo que, hoje, ela é muito relativa. Veja-se uma das últimas notícias da área de tecnologia envolvendo a quebra de senhas, o meio que usamos para resguardar nossos dados. Um programa desenvolvido por hackers já é capaz de quebrar senhas com até 256 caracteres, o que é uma segurança absurda. Antes, ele só conseguia decifrar senhas de até 15 caracteres. Nos dois casos, envolvem a descoberta não só de senhas simples, como datas de aniversários, mas das mais complexas, que tem letras maiúscula, minúscula, símbolos e números. Se você quiser testar o programa está disponível na rede. É só procurar que acha.

Refletindo sobre toda a celeuma criada pela divulgação dos documentos da NSA, o que me ocorre é que tornando límpido que o Governo dos Estados Unidos espiona todo mundo – o que também fazem os outros Governos – o que estamos fazendo é acabando com a hipocrisia. Todo mundo medianamente informado sabe que, ao se ligar à internet, está abrindo mão de sua privacidade e correndo riscos de segurança.

O que vinha acontecendo, até agora, é que todos fingiam que existe segurança e privacidade. Os documentos da NSA mostram que não. Tais coisas, em um mundo interligado, não existem. Agora, ninguém pode dizer que não sabia.

AS MUDANÇAS QUE MELHORAM

É interessante como nos acostumamos com as mudanças e muitas vezes não percebemos como elas mudaram, também, o jeito de nos relacionarmos com as coisas e com as pessoas. Veja o caso dos telefones celulares, que eram enormes, verdadeiros tijolos, e hoje, além de pequenos, transformaram-se em companhia indispensáveis para todos nós, seja em ní­vel pessoal, seja no profissional, ajudando-nos não só a comunicar, mas a guardar uma série de dados que, antes, estavam espalhados por vários locais.

Os modernos smartphones – os telefones espertos – como o iPhone, Galaxie e outros são verdadeiras plataformas de computação, oferecendo um poder que, até há pouco tempo, poucos computadores ofereciam. E são neles que colocamos todas as nossas informações essenciais, de lista de telefones e agenda a anotações, lista de coisas por fazer, etc. Temos tudo à  mão, apenas com o toque de uma tecla ou de um í­cone na tela. Não que isso nos tenha livrado do papel, pois não livrou, mas na certa, para quem usa – como eu faço – é muito mais rá¡pido, cômodo e seguro.

Mas os smartphones e os celulares, como tudo na vida, tem outro lado. E ser der problema, o que eu faço? Sabemos por experiência própria que equipamentos, sobretudo os eletrônicos, acabam falhando e, nesta hora, muitas vezes a comodidade fica de lado e chega o pesadelo. É aqui que acontecem as mudanças que melhoram, como informa o tí­tulo. Posso dar um exemplo do que acaba de ocorrer com a minha mulher. O iPhone dela deu problema, não ligava mais e ela o levou à assistência técnica, sendo informada que precisava ser substitução e que isso levaria pelo menos 15 dias.

É lógico que ela não poderia ficar duas semanas sem telefone, pois é um importante instrumento de trabalho. O que fazer, então? Simples: arranjou um modelo mais antigo do iPhone no trabalho, trouxe-o para casa e passou para ele os dados essenciais, o que usa com maior frequência no dia a dia. Com isso, continuará tendo à  mão informações que, para ela e para o seu trabalho, são importantes. E tudo isso com uma ação simples de plugar o iPhone no computador e fazer uma sincronização.

O que foi feito com o iPhone pode ser feito com qualquer outro smartphone de geração mais recente, preservando dados que para nós são essenciais. O fato é que, com as sincronizações e backups, não mais perdemos dados. Se estão no telefone, também estão guardadas no computador e/ou na nuvem, permitindo que os acessemos na hora em que precisarmos ou, então, como foi o caso de minha mulher, que os recuperemos, evitando a catástrofe de um telefone que não liga e, com isso, de perdermos todos os dados nele existentes.

A tecnologia não é boa nem má, como tem observado os filósofos, mas causam mudanças profundas na vida de todos e um dos melhores exemplos são os telefones celulares com tudo o que hoje nos oferecem. As facilidades colocadas à nossa disposição eram inconcebíveis há muito pouco tempo. Neste caso, pelo menos se olharmos o lado das facilidades oferecidas, as mudanças foram para melhor.

A TECNOLOGIA QUE NOS FAZ GORDOS

Fazendo uma limpeza das caixas de emails, acabei me deparando com uma matéria publicada pela Wired retratando pesquisa feita pelo Milken Institute, dos Estados Unidos, mostrando que a tecnologia, de um modo geral, é um dos principais fatores para que o mundo torne-se, a cada dia, mais gordo, com o percentual de obesos chegando a bilhões de pessoas e transformando a obesidade em um dos maiores problemas de saúde pública, de acordo com os especialistas.

Mas o que nos levou a isso? Um dos problemas apontados pelo Instituto é o da “comida processada”, que tem de ser produzida em grande quantidade e preservada para atender o consumo humano. Ao lado dos nutrientes necessários à  manutenção do corpo saudável, ela acrescenta uma série de componentes químicos que acabam contribuindo, necessários para a sua conservação, mas que afetam diretamente os humanos. Além do mais, como está à  mão, o seu consumo é mais fácil e, com isso, as pessoas acabam comendo maiores quantidades, reforçando a tendência à obesidade.

Entupidos de comida, nos sentamos diante da televisão e lá ficamos. Antes, tínhamos de levantar para mudar de canal. Hoje, o controle remoto faz tudo, com a tecnologia nos tirando um dos poucos movimentos que fazíamos dentro de casa. O controle remoto é apenas um pequeno exemplo das comodidades que a tecnologia nos trouxe, indo dos transportes à vida diária, o que foi tornando a cada dia mais sedentários, ficando horas e horas sentados, sem nenhum esforço a não ser apertar uma tecla de computador ou o comando de um controle remoto ou usar outro objeto para tarefas do dia a dia, facilitando – pelo menos em termos – a vida de todos nós.

Imagine o princípio da humanidade. Cada um tinha de lutar para conseguir sobreviver e uma das formas de fazê-lo era caçando, correndo atrás de animais que eram mortos para fornecer o sustento necessário a uma pessoa, família ou comunidade. Hoje, o máximo que fazemos é entrar em um supermercado onde tudo está à disposição. Andamos alguns minutos e saímos com tudo o que nos é necessário, além, é lógico, com todas as guloseimas que nos ajudam a engordar. Não há mais esforço para conseguir comida e isso devemos à tecnologia, que a colocou ao nosso dispor.

O mesmo se dá com a locomoção. Quando comecei minha vida de trabalho, saltava do ônibus e para chegar em casa andava quase dois quilômetros. E fazia este mesmo percurso todos os dias para ir para o trabalho. Para chegar a ele, também andava bastante. Hoje, saio de casa, desço à  garagem, pego o carro e me desloco. Chegando, estaciono na garagem do prédio onde tenho escritório e subo pelo elevador. De cada ao trabalho, o esforço é mínimo e o que eu ando – assim como uma grande parcela da população – é mínimo. Se contar da saída de casa à chegada ao escritório não caminho, na verdade, nem 200 metros. Muito menos do que os dois quilômetros do início da vida profissional.

Aqui temos trás exemplos – comida, televisão e deslocamento para o trabalho – mas se formos olhar veremos que em todos os campos temos a presença da tecnologia e ela é usada, quase sempre, no sentido de facilitar a vida das pessoas, impondo-lhes menor carga de trabalho, encurtando distâncias, facilitando tarefas e, com isso, nos tornando a cada dia mais estáticos. Sem gastar o que consumimos, o resultado é a obesidade, uma endemia que ocorre mesmo nos países mais pobres. O caminho a percorrer é o do movimento, conscientizando-nos que devemos usar a tecnologia a nosso favor, mas é preciso, também, que olhemos como ela pode nos ajudar na saúde, criando estímulos para que, se não imitemos nossos antepassados, pelo menos criemos a consciência de que precisamos nos movimentar.

A tecnologia, de verdade, está¡ nos tornando mais gordos. E para constatarmos isso basta que olhemos em volta de nós. As evidências estão nos corpos.