Mundo tem pouca água e é preciso economizar, diminuindo o consumo

ÁGUA, COMIDA E SUA IMPORTÂNCIA PARA O AMBIENTE

Quando falamos ou lemos sobre sustentabilidade e preservação do meio ambiente poucas vezes damos à água a importância que ela merece. Convivemos, no mais das vezes, com a impressão que a Terra tem água em abundância e que isso é mais verdade no Brasil, que possui imensas bacias hidrográficas, com rios gigantescos como o Amazonas. Sim, o mundo tem muita água, mas a maior parte dela, como sabemos, está nos mares e eles são salgados, exigindo gastos imensos para que a sua água seja bebida. O que poucos sabem é que, do total da água existente no planeta, apenas 2,5% dela é potável, própria para ser bebida. Deste total, dois por cento fica nos pólos, congelada, o que nos dá 0,5% para o consumo. É muito pouco.

Mas o volume de água potável não é o único problema que a humanidade, um dia, terá de enfrentar, inclusive no Brasil, como mostra a crise de abastecimento em São Paulo que vê a cada dia o volume disponível para abastecer a população diminuir. Há, ainda, um terceiro aspecto a ser enfrentado: a maior parte da água potável do mundo não é destinada aos humanos, sendo que 70% dela é usada para produzir comida. É verdade que parte do líquido que precisamos para sobreviver uma parte vem do que comemos, mas o consumo para produzir o alimento é muito desproporcional àquilo que pomos à mesa. Há duas semanas a revista Veja publicou um pequeno encarte que mostra alguns números do uso da água. E eles são impressionantes.

Vejamos, por exemplo, a produção de frango, uma das carnes mais consumidas no Brasil e no mundo. Na granja, para produzir um único quilo de carne de frango são gastos nada menos do que 4 mil litros de água. Imagine que o recomendável para nós, humanos, é que bebamos dois litros dela por dia. Isso significa que para produzir um frango de dois quilos são gastos o volume de água que um humano levaria mais de 10 anos para tomar. O pior cenário é no caso da carne bovina. A cada quilo de carne de um novilho, até que chegue à mesa do brasileiros, são consumidos nada menos do que 15 mil litros de água, que é igual a mais de 20 anos do consumo humano, considerando que cada um tome dois litros por dia.

E não é só na comida, não. Praticamente todos os produtos feitos pelo homem necessitam de água na sua produção. Um automóvel, dos milhares que vemos todos os dias nas ruas, precisa de 400 mil litros para ser produzido. Uma calça jeans, 11 mil litros. A indústria, como um todo, consome cerca de 20% de toda a água disponível. Junte o aumento da população com o aumento do consumo e temos um cenário quase que apocalíptico nos esperando no futuro. Hoje, já há países onde a água é muito escassa e o impressionante de tudo é que neles é que se mais gasta. O maior consumo per capta de água está nos Emirados Árabes, que precisam dessalinizar a água do mar, a um alto custo, para depois desperdiça-la em obras faraônicas.

O que faz a economia do mundo girar atualmente é o consumo. Quando ele cai, a economia estanca e, por isso, é preciso estimulá-la para que tenhamos crescimento e prosperidade. A fórmula é repetida, repetida e repetida e tem dado certo. O que há do outro lado deste afã por consumir é o prejuízo ao meio ambiente. É preciso pensar no que consumimos e o consumo consciente, sem desperdícios, é um dos caminhos para que também criemos menos impactos no meio ambiente, sobretudo no consumo de água potável, que não é, ao contrário do que pode parecer, um recurso inesgotável. Como todos os outros recursos do planeta, ela também é finita e se não cuidarmos de preservá-la, estamos nos arranjando um problema futuro.

O caminho não é novo, mas difícil de seguir: consumir menos, ser mais responsável.

O lixo que afeta o ambiente é o outro lado dos telefones celulares

LIXO, O OUTRO LADO DA TECNOLOGIA

Primeiro, na Internet e, depois, nos jornais, vi a notícia de que fecharemos este ano um número maior de telefones celulares do que habitantes do planeta. De um lado, pode-se dizer, que isso é bom, mostrando que mais e mais gente está conectada, usufruindo do que a nova tecnologia lhe pode oferecer. Com mais gente usando celulares, a comunicação vai mais longe, a informação chega mais rápido e abrem-se novas possibilidades de conexão, de aproveitamento de conteúdo e de aprendizado. A comunicação, no final, entendem todos seus teóricos não vai mais mudar o mundo, mas já o mudou e uma das novas faces dela são os telefones celulares.

Toda moeda, no entanto, tem sempre dois lados, assim como todas as coisas. Se há um lado bom no fato de chegarmos a tantos celulares, há um outro aspecto que precisa ser levado em consideração, que é a geração de lixo tecnológico, formando montanhas de aparelhos velhos – às vezes, nem tanto – que passam a apresentar um novo problema e tem contribuído, inclusive, para poluir terrenos, já que na fabricação dos celulares muito dos materiais não são amigáveis com a natureza. Na verdade, este é apenas um aspecto do lixo, mas devido à difícil degradação do material, é um dos mais sérios e isso é fácil de explicar pelos milhões de aparelhos fabricados e vendidos todos os anos.

Somente a Apple vendeu, no último trimestre, mais de 40 milhões de iPhones e, na certa, substituíram outros que os compradores tinham. Alguns desses telefones – a menor parte – acaba sendo revendida, o que cria um mercado paralelo, mas a maior parcela dele, mesmo que não de imediato, vai parar no lixo. E junto com ele vão computadores e outros aparelhos eletrônicos, que ficam obsoletos com uma impressionante rapidez. Quem, afinal, vai querer um celular ou um computador velho se é possível ter um novinho em folha por, no caso do Brasil, por algumas centenas de reais – o que não se aplica, é certo, aos aparelhos chamados top de linha. No final, o que temos é uma imensa quantidade de lixo, um problema sério que custa muito caro para resolver.

O telefone celular virou um ícone da sociedade atual. Todos tem um. E todos o usam para os mais variados fins. Muito mais do que um simples telefone, ele é rádio, computador, gerenciador de emails, meio de ver vídeos, etc. Suas múltiplas utilidades – além de falar – fazem com que mais e mais pessoas dependam deles. Além disso, para consumir novos conteúdos, precisam de aparelhos novos, de última tecnologia, criando-se um imenso mercado de consumo que, a cada seis meses, troca o seu smartphone ou substitui seu telefone por um outro.

Se você ainda não tem a dimensão do problema, imagine a acumulação de quase 7 bilhões de aparelhos celulares. É a isso que estamos chegando e tão certo quanto o lançamento de novos modelos pelos que os produzem, é que serão substituídos e irão virar lixo. A mesma tecnologia que, de um lado, é boa, acaba representando uma ameaça ao meio ambiente- É hora de nos preocuparmos com isso.

As sacolas são um dos grandes problemas do meio ambiente

O CONSUMIDOR E SACOLAS PLÁSTICAS

Como a grande maioria já sabe, desde o ano passado começou no Brasil o movimento de suspensão da distribuição de sacolas plásticas pelos supermercados. Nesta ação, empresários e órgãos de defesa do meio ambiente e do consumidor concordaram que a retirada das sacolas plásticas seria benéfica, trazendo vantagens para o meio ambiente, embora provocasse – e ainda provoque – desconforto entre os consumidores. O certo é que a medida foi aplaudida e também criticada. Em relação aos aplausos, o reconhecimento da ação ambiental, que é inequívoca. No caso das críticas, o fato de não ter sacolas.

Por que este assunto? A razão é simples. Trata-se de uma ação em favor do meio ambiente, mas que incomoda o consumidor, acostumado a receber “de graça” as sacolinhas plásticas para carregar o que adquire no supermercado. Se fizermos uma pesquisa vamos constatar que a quase totalidade da população é favorável às ações em prol do meio ambiente, com a retirada de materiais poluentes hoje existentes e a conservação de matas e mananciais, para citar somente alguns dos aspectos da melhoria ambiental. Se olharmos a lógica, a retirada das sacolas plásticas de circulação deveria ter o apoio da população. Mas isso não ocorre. Nas pesquisas feitas, a grande maioria manifestou-se favorável à manutenção da distribuição deste tipo de material que, reconhecidamente, prejudica o meio ambiente.

O que temos visto é a postura de “façam o que digo, não o que eu faço”, significando que, nas palavras, todos são favoráveis ao meio ambiente, mas quando chega a hora de dar a sua contribuição, sendo atingido por uma das medidas pro-meio ambiente, já¡ não são assim tão favoráveis. É este o caso das sacolas plásticas. Retirá-las de circulação é bom, mas o consumidor, embora apoio a conservação ambiental, reclama e quer vê-la de volta aos caixas dos supermercados. Fala mais alto a comodidade. E é por isso que mesmo apoiando as ações ambientais, quer as sacolas de volta. Objetivamente, sabe que é uma boa coisa, mas subjetivamente a posição é diferente.

A percepção do consumidor, quando atingido por medidas como a suspensão das sacolas plásticas, sofre uma forte influência da mídia. E, aqui no Espírito Santo e em todo o Brasil, jornais, rádios, revistas e TVs tem tratado o assunto sempre de um único ponto de vista: o desconforto do consumidor. As empresas e os órgãos de fiscalização – Ministério Público, Procons, etc. – acabam sendo colocados em segundo plano e quando aparecem é para serem confrontados em relação à medida tomada. O que a mídia mostra, com raras exceções, é o “prejuízo” ao consumidor, não o benefício ao meio ambiente.

Outra percepção que a mídia tem ajudado a consolidar é que o consumidor, apesar de não receber a sacolinha, está¡ pagando por ela, contrapondo-se ao fato de, antes, elas ser “gratuita”. Como muito bem colocou Milton Friedman, “não existe almoço de graça”, aqui significando que é o consumidor, no final, quem paga todos os custos. Nenhum deles nunca recebeu uma ou mais sacola de graça, pois o custo estava embutido no preço do produto que levavam. Na verdade, o que acontecia – e ainda acontece em outros setores – é que o cliente estava pagando para ajudar a degradar o meio ambiente. E quanto faziam isso, eram favoráveis ao meio ambiente. Agora que não pagam mais, ainda continuam favoráveis ao meio ambiente, mas querem as sacolas de volta, e “de graça”. É o caso de afirmarmos que algo é bom, mas para os outros, não para nós mesmos.

Uma bela contradição.

NÓS, ONTEM E O MEIO AMBIENTE

Não sou – e já disse aqui mais de uma vez – um disseminador de e-mails que trazem o curioso, o engraçado, correntes, power points e que tais. Mas tenho sido, graças a alguns amigos, um recebedor constante deles. Muitas vezes, eles não tem nenhuma graça. Em outras, no entanto, trazem coisas que merecem ser lidas e, em alguns casos, nos levam, inclusive, à reflexão, sem perder o lado do humor.

Agora, um amigo acabou de me enviar um e-mail que achei interessante e quis dividir com todos. Provavelmente, alguns já o receberam e até enviaram para outros amigos, mas muitos não. E acho que vale a pena lê-lo e refletir sobre algo por que nossa geração – a minha ou quem tem mais de 50 anos – acaba levando a culpa. Ele fala de meio ambiente e de como o tratávamos quando éramos jovens.

A história é a seguinte:

Na fila do supermercado, o caixa diz a uma senhora idosa:
A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, evitando as sacolas plásticas que poluem o meio ambiente.

A senhora pediu desculpas e disse:
No meu tempo, não havia essa onda de verde

Ao que o empregado do supermercado respondeu:
Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o meio ambiente.

A senhora parou, pensou e respondeu:
Você está certo. Minha geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, de refrigerante e cerveja eram devolvidas à loja, que as mandava de volta para a fábrica, lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, Os fabricantes de bebidas usavam estas garrafas umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente, mas subíamos escadas porque não havia escadas rolantes gastando energia.

Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro a cada vez que precisávamos ir a dois quarteirões adiante, não gastando petróleo.

Até então as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis, que depois de usadas são jogadas no lixo.

A secagem das roupas era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente as secavam, de modo natural.

Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos e não roupas sempre novas.

Naquela época só tínhamos uma TV ou rádio em casa, e não uma em cada quarto e tinha tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio que depois será descartado. Como?

Na cozinha tínhamos que bater tudo com as mãos pois não havia máquinas elétricas, que fazem hoje tudo por nós.

Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usávamos jornal amassado para protegê-lo, não plástico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina ou elétrico para cortar a grama. A utilização do cortador exigia másculos, um exercício extraordinário e não precisava ir à academia e usar esteiras que funcionam a eletricidade.

Bebíamos diretamente da fonte quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos.

As canetas eram recarregadas com tinta tantas vezes quanto necessário, ao invés de comprar uma outra e jogar a antiga, de plástico, no lixo.

Na hora de fazer a barba, usava-se navalhas, não os aparelhos descartáveis de plástico de hoje, que vão para o lixo.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. As pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas.

Tínhamos só uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?

É claro que parte – ou mesmo todo o texto – é uma ficção, mas é claro, também, que contem muitas verdades. O progresso nos tornou consumistas, fez com que adotássemos os descartes ao invés da conservação e o plástico, os derivados de petróleo e a energia elétrica passaram a ser consumidos em grande escala, em nome do conforto, gerando uma enorme quantidade de lixo, com boa parte dele não sendo biodegradável e contaminando o meio ambiente.

Pode-se dizer que é saudosismo e talvez seja. Só que a nossa geração viveu em um clima muito mais verde do que vivemos atualmente. Disso não resta dúvidas.

OLHANDO PARA O NOSSO FUTURO

Se soubéssemos verdadeiramente como será o futuro seria muito fácil enfrentá-lo e resolver os novos problemas que ele, certamente, nos trará. Como isso não é possível, o que se faz é usar dados do presente e, a partir deles, projetar o que pode acontecer, traçando cenários que indiquem, por exemplo, como estaremos daqui a menos de 40 anos. É exatamente isso que a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação – FAO, da sua sigla em inglês – fez e acaba de liberar as conclusões a que chegou.

Se olharmos os números, até que a visão da FAO é otimista, pois prevê que a pobreza continuará diminuindo, haverá aumento do rendimento médio e que o número de mal nutridos também cairá e isso tudo alimentando uma população de mais de 9,3 bilhões de pessoas. Mesmo com as melhorias, as disparidades continuarão a existir, com os países da Organização para Cooperação do Desenvolvimento Econômico – OCDE, em inglês – continuando com um bom diferencial em relação ao restante do mundo. Neles, o nível de vida dos seus mais de 1 bilhão de habitantes será bem melhor do que em outras regiões do planeta.

Apesar do otimismo, segundo ainda a FAO, vamos chegar a 2050 com 2,6% de toda a população mundial abaixo da linha da pobreza, o que significa receber até 1,25 dólar por dia. Serão mais de 245 milhões de pessoas e, em sua maioria, elas estarão nos países da África, sobretudo na região subsaariana. Hoje, existem países na região que tem mais de 60% de sua população abaixo da linha mínima estabelecida pela ONU – Organização das Nações Unidas. Para os países da OCDE, a pobreza será uma visão distante, que seus cidadãos só verão quando visitarem a África, a Ásia ou a América Latina que, fora do chamado primeiro mundo, é que ficará com o menor índice de pobreza, algo em torno de 0,1% em 2050.

A questão que se pode colocar é: será que chegaremos a estes números? Hoje, ninguém sabe, mas há um grande desafio pela frente, começando pela produção de alimentos. A previsão da FAO é que tem de haver melhoria na produtividade, que passaria de 2,71 toneladas por hectare para 4,07, o que representa praticamente dobrar a produção atual. Será possível? Segundo o presidente da Embrapa, uma das líderes mundiais em pesquisas voltadas para a área agrícola, é sim e para conseguir os números é preciso que a ciência aja, desenvolvendo plantas que produzem mais e que se adaptam perfeitamente ao clima onde são cultivadas.

Não sou pessimista em relação ao futuro, mas estou cético de que possamos realmente alimentar 9 bilhões de pessoas. Acho que as desigualdades irão aumentar. Os números da FAO são médias e elas, como dizia um dos meus professores preferidos, são enganosas. Se você pegar um humano, congelar sua cabeça e esquentar seus pés, na média ele terá uma temperatura normal. Na vida real, no entanto, estará morto. É o mesmo caso para a renda. Se ganho R$ 100 mil por ano e outra pessoa ganha R$ 10 mil, na média ganhamos R$ 55 mil, um número bom, mas que, mais uma vez, não reflete a realidade.

VIDAS QUE DEPENDEM DO LIXO

Há alguns dias, aqui neste mesmo espaço, o assunto era a pobreza no mundo, que tem, paradoxalmente, tanto pobre quanto tem de desperdício. Uma parte deste desperdício é transformado em lixo e em países como o Brasil, o que cada cidadão descarta é depositado em um lixão. Em muitos outros países, o lixo é aproveitado e acaba virando, primeiro, energia, e depois outros produtos com a reciclagem.

No caso brasileiro, segundo uma especialista que participou de seminário em Vitória, apenas 2% de todo o lixo recolhido é reciclado. É muito pouco, você dirá¡. Sim, é. Mas representa quase mil toneladas diárias que deixam os lixões e são transformados em outras coisas. Em todo o país, são descartados todos os dias 240 mil toneladas de lixo. Os números, como sempre, são frios. Alguns – e acho que poucos – sabem que por trás desse lixo existem pessoas, algumas vivendo há¡ anos nos lixões, catando garrafas, latas, papel e os vendendo, garantindo com isso o sustento de sua família.

Como mudar? Há poucos dias minha filha lembrava de um episódio de sua infância. Um dia, eu e minha mulher, saímos com ela e meu filho para um passeio. Na época, havia um imenso lixão onde é um dos grandes bairros de Vitória, chamado São Pedro. Próximo dele, paramos, saímos do carro, apontamos para as pessoas que estavam no meio do lixo e dissemos aos nossos filhos: Vocês foram trazidos aqui para verem que o corriqueiro não é a vida que vivem. A intenção – e acho que valeu, pois ficou marcada na memória – foi chamar a atenção, dizendo que enquanto eles tinham tudo, alguns não tinham nada e tinham de viver do lixo.

Ainda hoje, uma ação dessa é cabível. Vivemos em um mundo cor de rosa, olhado do ponto de vista de quem está¡ na linha da pobreza e, por ser pobre e não ter opções, as vezes tem de viver do lixo. O que podemos fazer? Uma coisa simples é separar o lixo seco do úmido, facilitando a coleta do material reciclável. Podemos, também, consumir menos e cuidar para não haver desperdícios. Mas, sobretudo, não só em relação ao lixo – que é um problema sério para o meio ambiente – precisamos caminhar mais, adotando posturas e práticas que poupem energia, economizem comida, evitem o desperdício.

Se quer dar uma contribuição, por pequena que seja, comece a separar o lixo. É simples. Adote dois repositórios, um para o lixo úmido – restos de comida, papéis engordurados, etc. – e um outro para o lixo seco – papéis, embalagens plásticas e de papel, garrafas, etc. Mesmo que no seu bairro ou município não exista coleta seletiva, faça isso. É um meio muito simples e fácil de contribuir para a melhoria do meio ambiente e, de quebra, ainda ajudar quem está¡ na linha da pobreza e precisa do lixão para sobreviver.

A CAMINHO DA CATÁSTROFE

Ainda hoje, com a mudança ambiental se tornando presente em vários eventos ao longo de todo o planeta, ainda existem pessoas que não creem, de verdade, que estamos em uma mudança e que ela afeta, de forma direta, o meio em que vivemos e do qual dependemos não só para a nossa, mas para toda a vida na Terra. Um dos aspectos desta mudança, não tenho dúvidas, é o clima. Se olharmos em perspectiva, podemos constatar que hoje ele é bem diferente do que era, por exemplo, na nossa infância, alguns anos atrás: chove quando devia fazer sol; faz frio quando deveríamos estar com calor.

O clima é um dos principais fatores de a Terra ser como é de nos termos transformados na espécie que domina o planeta – ou pelo menos pensa que o faz. Os cientistas dizem que foi uma rara combinação de temperatura, atmosfera e exposição ao sol que criou os condicionantes para o aparecimento da vida na Terra. De toda a vida, inclusive a humana. Foi ainda graças ao clima, adptando-nos a ele, que evoluímos e nos transformamos em uma espécie que, geneticamente idêntica, apresenta diferentes variações de forma, pigmentação, tamanho, consistência, etc. Por tudo isso é que os cientistas consideram o clima a chave de tudo.

Se o clima for, efetivamente, a chave, temos de olhar para a Terra como um todo, vendo-a integrada. E ao fazermos isso, constatamos que um dos caminhos é fazer com que o mundo seja mais igual, com o compartilhamento mais equilibrado dos seus recursos. Neste aspecto, alguns números são impressionantes, começando por mais de 1,5 bilhão de pessoas que vivem sem energia elétrica, enquanto em várias partes os recursos energéticos estão no fim. Em um mundo superindustrializado, metade da população mundial depende da agricultura para a sua sobrevivência e, dela, um quarto ainda planta e colhe da maneira como nossos ancestrais faziam, usando as mãos somente.

No caso da agricultura temos grandes contrastes, indo das plantações que usam toda tecnologia e as mais modernas máquinas, como é o caso da soja no Brasil, às pequenas famílias que trabalham um pedaço de terra tirando dele o seu sustento. O curioso é que, no caso das plantações high-tech, a maior parte do que ela produz não vai para o consumo humano, mas animal, com milhões e milhões de toneladas de grãos sendo transformados em comida para bois, porcos, etc. Nisso estamos gastando, também, mais de 70% de todo o consumo de água potável do planeta. Cada quilo de carne que chega à mesa de um ocidental gasta, na sua produção, cerca de mil litros de água. Enquanto isso, milhões não dispõem desta quantidade de água durante toda sua vida, sendo que um bilhão de pessoas não tem acesso a água potável.

Espremido nas cidades, que já¡ tem 50% da população mundial, vamos depender, mais e mais da natureza para a nossa sobrevivência. Precisamos de água, de alimentos, de energia, etc. Vivemos, ao mesmo tempo, em um planeta com recursos escassos e com um enorme desperdício destes recursos. Temos, assim, fome ao lado do desperdício. Enquanto nós, ocidentais, podemos nos dar ao luxo de fazer uma refeição diária, bilhões vivem abaixo da linha da pobreza, vivendo com até um dólar por dia. E eles vivem no mesmo planeta que nós, mas o fosso que deles nos separa ao invés de se estreitar, está¡ se alargando.

Enfim, existem números em todos os setores que mostram claramente um caminho para a catástrofe. Alias, um caminho já¡ percorrido por outras civilizações, como a maia e a asteca, por exemplo. Sem recursos, ela acabou extinta. Será que este será também o nosso caminho? Não posso afirmar que sim, mas acho – baseado, aqui, no que cientistas de todo o mundo estão dizendo – que podemos transformar a visão de apocalíptica em esperança. Precisamos mudar, não resta a menor dúvida. E precisamos dar os primeiros passos, em casa, no trabalho, na vida cotidiana, começando a criar uma consciência de que temos recursos escassos, que precisam ser extraídos com cuidado, preservados.

O futuro é sempre uma construção, embora nunca o possamos prever. No caso do meio ambiente, se quisermos ter um futuro como espécie, o caminho que nos resta é fazer com que o clima volte ao equilíbrio. Será bom para cada um de nós, para os nossos filhos, para a humanidade e para o planeta.