SOMOS OU NÃO SOMOS ASSIM?

Volta e meia a mídia, de um modo geral, está falando de um tema que, muitas vezes, procuramos varrer para baixo do tapete, que é o preconceito. Sociedade multirracial, o Brasil tem orgulho de em seu território conviverem brancos, pardos, amarelos, mulatos e negros. E em paz. Mas será que, no dia a dia, a vida é igual para todos eles? Será que existe diferença no tratamento de quem, por exemplo, é pobre daquele que é melhor aquinhoado? Será que o negro é tratado da mesma forma que o branco?

Aqui, no Espírito Santo, o Instituto Futura saiu às ruas e foi fazer ao capixaba estas perguntas. O resultado, confesso, me deixou meio perplexo. Descobri que os capixabas, ao contrário do que imaginava, são muito preconceituosos e muitos deles o admitem. O fato é que o preconceito, inicialmente olhado do lado de fora, está permeando as relações sociais, valorando mais a posição social, admitindo o uso da influência em benefício próprio, vendo suspeição em quem é mais pobre e discriminando na hora do emprego.

Olhando a sociedade como um todo, mais de 93% dos capixabas acham que a posição social de uma pessoa influencia na forma como ela é tratada. Outros 92% acham que o uso da influência – o jeitinho brasileiro – é corriqueiro para a quase totalidade das pessoas e tem a percepção de quem é menos aquinhoado, pobre ou negro tem maiores chances de ser considerado culpado do que quem está em uma melhor posição social. Por fim, acham que os ocupantes do topo da pirâmide social tem maiores chances de conseguir um emprego e são preferidos em detrimento de quem é mais pobre.

Esta percepção, quando aplicada em quem está mais próximo da pessoa, continua. Os índices caem, mas são ainda muito significativos. No caso da predominância da posição social são mais de 69%, sobre o uso da influência o índice chega aos 68% e volta a subir para 71% quando se trata da suspeição atingindo quem é mais pobre. No caso da preferência na hora do emprego o índice é de 70%. O que fica claro é que o capixaba acha que o outro – não ele próprio – é muito preconceituoso. Mas como o universo da pesquisa é o próprio capixaba quem opinou acaba se enquadrando também neste preconceito.

Se as questão são postas de maneira específica, para cada um dos entrevistados, os índices mudam, caindo muito, muito mesmo. Ainda assim, quase um quarto dos capixabas se reconhecem no tratamento diferenciado de alguém que tenha melhor posição social e este número cresce para 33%, o percentual que admite usar a sua influência para obter um determinado resultado. São também 30% os que consideram os mais pobres com maior grau de suspeição de quem tem melhor nível de vida e os números se fecham com quase 34% admitindo que, na hora de dar um emprego, escolhe quem tem melhor posição social.

Se os números são válidos, e acredito que sejam, somos muito preconceituosos, o que é surpreendente já que os capixabas são ainda mais miscigenados que os brasileiros, em geral. Aqui, temos italianos, portugueses, poloneses, alemães, pomeranos, negros, índios, etc. Mas temos, também, como em toda sociedade estratificada, gente que tem mais e outras que tem menos. O curioso é que, tanto de uma quanto da outra ponta o preconceito é a marca. Ricos e pobres são preconceituosos do mesmo jeito.

Após ler os números fique me perguntando se o Brasil também é assim. Estou quase que apostando que sim. E me baseio no que diz o professor Alberto Almeida, autor de A Cabeça do Brasileiro. O livro, fruto de uma longa pesquisa, mostra que, sim, somos preconceituosos. E muito mais. Neste caso, o que me surpreendeu não foi o próprio preconceito, mas os índices dele. Achei que existisse, mas que fosse menor. Pensei errado!

E você, o que acha do brasileiro? Somos ou não preconceituosos? Os números estão certos? Será que na sua região é semelhante? Em princípio, acredito que sim. Mas gostaria de ouvir a sua opinião.

FANTASIA QUE DÁ DINHEIRO

Pura diversão, de um lado, mas uma indústria milionária do outro. O cinema – assim como a indústria cultural – transformou-se, para muito, na principal maneira de ganhar dinheiro, como comprova os rendimentos conseguidos por Avatar, o último filme de James Cameron. Nem bem estreiou e o filme já é o segundo em arrecadação em toda a história da telona, perdendo apenas para outra criação do mesmo diretor, Titanic. Daqui a pouco, tenham certeza, ele será o primeiro, batendo todos os recordes do cinema.

O cinema, sem dúvida, explora nossas fantasias, nos diverte, nos entretém, mas também dá dinheiro. Basta ver as arrecadações milionárias dos filmes mais recentes e, também, os orçamentos com que são feitos, ficando cada vez mais caros, empregando a última tecnologia, enfim, buscando todos os recursos que prendam nossa atenção e que nos faça ir ao cinema. Pensando nisso, comecei a me perguntar quais foram os filmes que me marcaram, que ficaram, dos quais ainda me lembro e que, se perguntado, recomendaria a alguém que visse. Esta questão me rondou durante a semana e – até para me livrar dela – resolvi trazer o assunto aqui, no blog.

Deixando de lado o dinheiro, que impressiona, a pergunta simples é: Quais os filmes que mais te agradaram? No meu caso, começo com Casablanca, um dos clássicos do cinema que vi muitos anos depois do seu lançamento e após ter visto muitos, muitos outros filmes. (Um parênteses nesta questão: Minha vida cinematográfica começou, efetivamente, nos anos 70 do século passado, quando deixei uma pequena cidade e decidir ir para a capital, estudar e trabalhar). Voltando: Outro filme marcante foi 2001, uma odisseia no espaço, meu primeiro contato com o mundo da ficção científica no cinema e o despertar para um gênero de que tornei fã, inclusive na literatura.

Na categoria ficção científica um outro filme de que sou fã é Blade Runner, a história dos androides que voltam à Terra em busca de sua origem. E este é, também, um dos poucos filmes que superam os livros em que foram baseados. O livro é interessante, mas o filme, no meu entender, espetacular. Hoje, sem dúvida, é um clássico de um diretor versátil, Ridley Scott, que é capaz de ir ao terror (?) de Alien à comédia de Um ano bom. Blade Runner, na verdade, introduziu toda uma nova estética no cinema, o clima sombrio, os personagens angustiados, cheios de dúvidas e questionamentos. Se tem ação, o filme é baseado mais no psicológico, aliás, dentro do espírito do seu criador original Philip K. Dick.

Pulando anos, um outro filme que me marcou foi Os imperdoáveis, com Clint Eastwood. O cowboy bêbado que ele faz é inigualável e o filme, muito bom, principalmente por tratar o chamado faroeste de um ponto de vista bem diferente dos épicos de bandidos e mocinhos. De ator meio cadastrão, dos westerns spaghetti, Eastwood mostrou não só que é um grande ator, mas também um ótimo diretor. Os imperdoáveis merece ser visto e ocupa um lugar de destaque entre os filmes de que gosto. Em um outro pulo chegamos mais perto do atual século e, com isso, desembarcamos em um filme que, à primeira vista, não seria interessante.

Estou falando de Bandits, com Bruce Willys e Cate Blanchet. A história de dois assaltantes de banco que encontram uma mulher meio desesperada e começam a partilhá-la é surpreendente e, no meu entender, tem um dos melhores roteiros do cinema, surpreendendo-nos não só no seu desenvolvimento, mas na forma como muda e o filme é concluído. Bruce Willys, Cate Blanchet e Billy Bob Thornton estão ótimos. Vale muito a pena ver. E dando um outro salto, chegamos a um outro filme que se destaca pelo roteiro: Lucky Number Slevin – que em português foi chamado de Xeque Mate. Outra vez temos Bruce Willys, mas acompanhado de Morgan Freeman, Josh Hartnet, Ben Kingsley e Lucy Liu, um elenco estelar para contar uma história de gângsteres que se revela no final.

Todos estes filmes – e são apenas alguns dos que gosto – trazem pura fantasia, pelo menos para quem os vê. De Casablanca a Xeque Mate, diretores, atores, roteiristas e toda uma grande equipe capricharam para que, em um determinado tempo, nos divertíssemos. No que se refere a estes filmes e no meu caso, eles conseguiram. Se você não os viu, recomendo que veja. Tenho certeza que não irá se arrepender. Mas antes de fazer isso, fica a pergunta: Quais são os seus filmes preferidos? Ah, e como o texto acabou ficando muito longo, em outra oportunidade falarei dos filmes brasileiros que mais me marcaram.

PAGANDO PARA DESPERDIÇAR

Há algum tempo, principalmente devido às atividades exercidas, fiz a opção por comer fora de casa. O tempo de deslocamento do trabalho para casa e de volta ao trabalho, além de consumir tempo, acaba por representar um custo que, somando-se prós e contras, fizeram com que a opção de almoçar fora fosse a adotada. Assim, sou dos que adotaram a rotina de almoçar fora de casa e isso, no dia a dia, nos permite observar formas, hábitos e maneiras de quem está próximo de nós, nutrindo-se para enfrentar o dia.

Um dos aspectos que tem me chamado a atenção nos últimos tempos é a quantidade de comida que cada um se serve. Antes, vale uma explanação: com o self-service tornando-se quase padrão, cada um pega o que quer. E no final, acaba pegando, como se pode notar observando-se os pratos, bem mais do que come ou comeria em circunstâncias normais. Então, voltando: o primeiro ponto é o prato cheio. Nada contra ele, mas o que se vê, ao lado disso, é que no final, ao término da refeição, sobrou comida.

Acho estranho que alguém pague por uma coisa, principalmente comida, se não a vai usar. O problema, no meu entender, é ainda maior porque quem está desperdiçando pagou pelo que desperdiça. É como se estivesse – e na verdade está – jogando dinheiro fora. Mas isso vai muito além do simples fato monetário e reflete uma cultura do desperdício, em que não se dá atenção para as coisas, criando-se sobras – e lixo – que nos criam novos problemas, incluindo o recolhimento e tratamento do lixo.

Comida é um dos mais preciosos bens da humanidade, principalmente porque enquanto uma parte come, a outra passa fome. E não é preciso ir muito longe, na África, por exemplo, para se ver isso. Basta visitar a periferia de qualquer cidade brasileira para se constatar isso. Se o desperdício é criticável, pagar por ele é, acho, inominável, principalmente quando se trata de comida. Mas ele reflete, também, uma postura cultural que não nos ensina a economizar, a poupar, a evitar o desperdício.

Gastamos – ou desperdiçamos – comida, água, energia elétrica, papel, etc. etc. Falamos sobre meio ambiente e sobre atitudes reesposáveis, mas se olharmos para o lado veremos que as atitudes são tudo, menos responsáveis. O desperdício de comida, que pode ser presenciado todos os dias em uma praça de alimentação de qualquer shopping no Brasil ou no mundo, é apenas uma das facetas de uma cultura que nunca se importou com o planeta, que sempre achou que seus recursos eram infindáveis.

Chegou a hora de mudar. Precisamos adotar um novo critério de vida, economizando os escassos recursos que a Terra nos proporciona, até como meio de melhor dividi-los. Será que alguém que desperdiça aprova que outros estejam passando fome? Não creio. Mas o hábito está tão arraigado que não percebe o que está fazendo. Precisamos mudar. O problema que se nos apresenta é como fazê-lo. Pessoalmente, acho que a mudança é individual. Cada um precisa se conscientizar de sua necessidade.

Quando isso acontecer teremos um mundo diferente. Até que ocorra, vamos ver, de um lado, o desperdício, e do outro a carência, seja no caso da comida, da água ou de qualquer outro recurso à disposição do homem. Hoje, refletindo uma cultura milenar, poucos tem muito. E muitos tem muito pouco. Quando isso irá mudar?

EM QUEM VOCÊ CONFIA MAIS?

Desde que nascemos e ao longo de toda a vida aprendemos que a confiança nos ajuda. Precisamos, primeiro, confiar nos nossos pais, que nos dão o suporte para a vida, educando-nos e nos preparando para o futur. Depois, precisamos confiar nos nossos mestres, que nos ensinam o que precisamos para seguir adiante, enfrentando o trabalho. Mais tarde, aprendemos a confiar a quem a nós se juntou, transformando-se em parceira e fazendo com que também nos transformemos em família, reiniciando o ciclo de confiança. E, por fim, acabamos por confiar nos amigos que fazemos ao longo da vida e que, em muitos momentos, são o suporte que encontramos.

Estes são apenas alguns dos aspectos da confiança, do que estabelecemos em relação a quem está ao lado ou próximo de nós. Mas saindo do ambiente familiar e de amigos, em quem você mais confia? Existe, no seu entender, alguma profissão que seja mais confiável do que a outra? Dá para, por exemplo, confiar mais em um médico do que em um policial? É possível confiar em quem nos orienta espiritualmente? De uma outra forma, estas perguntas foram colocadas para a população do Espírito Santo por um dos mais conceituados institutos de pesquisas capixabas. O resultado, no final – e pelo meu ponto de vista – é bastante surpreendente.

Vamos, primeiro, aos resultados sobre a confiança. De acordo com os capixabas – e não acredito que seja muito diferente no Brasil – o profissional mais confiável é o bombeiro. Os bombeiros estão no topo da lista da confiança, adiante dos carteiros, que são os segundos colocados, e dos professores, que vem em terceiro. O quinto lugar são dos engenheiros e o sexto, dos jornalistas. Estes, talvez, pelo exercício do poder de informação, essencial à democracia, e que nos últimos tempos no Brasil tem se virado muito em direção aos problemas do Estado e seus reflexos no cidadão. O jornalismo denúncia, que fica ao lado do cidadão, parece ter ampliado a credibilidade da profissão.

E do lado negativo, aqueles em que se confiam menos. Advinha quem é o campeão absoluto? Sim, isso mesmo, o político. Nunca neste país, como diria um conhecido nosso, alguém foi tão desacreditado quanto um político, ao ponto de ser chamado de político ser quase um insulto. O resultado não me surpreendeu, mas como já disse aqui, o político é o reflexo do cidadão, pois afinal somos nós os responsáveis por ocuparem os postos que ocupam. O segundo profissional menos acreditado é o policial. Inevitavelmente, isto é o reflexo dos tempos de violência em que vivemos, atribuindo-se à Polícia e a quem a integra a responsabilidade por ela.

O terceiro lugar é dos advogados, que ainda tem menor credibilidade que os juízes de Direito, que ganham dos economistas. Achei interessante a colocação dos economistas, afinal, em uma economia estabilizada, como a que vivemos, suas advinhações já não causam tantos problemas como antes. O que me surpreendeu, em relação ao lado negativo, foram os últimos colocados na área de confiança, exatamente os padres e pastores. Como mais de 90% dos brasileiros afirmam professar uma religião, qual seria a explicação para esta desconfiança? Não quero entrar no mérito, mas os líderes espirituais já foram bem mais acreditados, não?

A pesquisa, como viram, limitou-se a alguma profissões, não abrindo assim tanto o leque. Mas as conclusões podem nos levar à indagação de como anda a confiança do brasileiro no seu próximo, no profissional que está do seu lado, no líder político que o representa ou no policial que deveria defendê-lo. Será que estes níveis de confiança e desconfiança acontecem em relação a outros segmentos? Não dá para especular, pois a pesquisa não diz. Cabe, no entanto, a pergunta: em quem você confia mais? Me diga, eu gostaria de saber!.

DÚVIDAS SOBRE O SEXO

Sexo está se transformando em um assunto recorrente neste blog. Sobre ele já foram publicados alguns artigos – Somos tarados por sexo?, Será que é mesmo assim? e Com o sexo marcado no corpo, dentre outros – que abordam a questão, nem sempre de um jeito sério, mas sempre destacando o que diz a ciência, de um lado, e o comportamento das pessoas, de outro. E é nessa linha comportamental, mas que tem, também, muito de educação e de informação, que o assunto volta a ficar no foco. Há, em relação a ele, uma causa específica: a desinformação sobre o assunto.

Um dos tópicos – e neste como nos outros casos são os homens que estão envolvidos – é sobre ereção. Uma matéria publicada em um jornal local, de grande circulação, ouviu médicos sobre as dúvidas mais frequentes manifestadas por seus “pacientes” sobre o sexo. E a ereção é uma das campeãs, com perguntas – que não serão repetidas aqui – que tem o menor nível de informação. O que a matéria e os médicos destacam é que os homens tem problema para falar de sexo, principalmente quando se trata do seu desempenho. Não admite, muitas vezes, que tem um problema, como é o caso da ejaculação precoce, que atinge uma boa parcela deles.

Embora sejamos – pelo menos ao contar vantagens – campeões do sexo, somos analfabetos quando se trata de informações sobre ele. E isto chega ao ponto de homens pensarem que a mulher só tem orgasmo, prazer, com a penetração. Não sabem que há outros pontos muito mais erógenos, que podem ser explorados em benefício dos dois. Na maioria das vezes e por falta de conhecimento, fica-se no “vai ser bom, não foi?”, quase uma repetição da cópula do coelho, que dura segundos, não envolve prazer, mas pelo menos tem os sentido da reprodução, o que não ocorre com a espécie homo sapiens. Aliás, neste quesito, de sapiens não tem nada.

Aparentemente, as mulheres tem um pouco mais de informação, mas também e a se crer pelos relatos na reportagem, não são campeãs de conhecimento. Um dos dados que se destacam é o orgasmo feminino. Uma boa parcela das mulheres confessa que não o tem, não sabendo o que é prazer no sexo. E do outro lado, os homens nem notam. Afinal, se tem prazer, não se preocupam com a parceira, estabelecendo um relacionamento unidirecional, com a mulher sendo mero instrumento do desafogo sexual. Ou da afirmação masculina que, depois, sai espalhando que “comeu” não sei quantas mulheres, esquecendo-se que, neste quesito – para os dois lados – qualidade é muito melhor do que quantidade.

Tive um amigo, infelizmente já não presente, que tinha um livro com um título pomposo: Tudo que aprendi sobre sexo. Com capa dura, título em relevo, o livro despertava inveja em quem o via de longe ou que o pegava sem abrir. O meu amigo dizia que, nele, ao longo dos anos foi colocando tudo que aprendeu sobre os relacionamentos sexuais com inúmeras parceiras, desde sua adolescência, enquanto casado e, sobretudo, depois de ter se tornado viúvo. E nós que éramos seus amigos sabíamos que era mesmo um maranhão, que dificilmente passava um dia sozinho, mesmo que tivesse de pagar – e fez isso muitas vezes, de diversos modos – por uma companhia.

Sempre que alguém novo chegava ou se aproximava dele, o livro era exibido, despertando interesse e inveja. Sempre sorridente, meu amigo mostrava o livro, fazia charme sobre abri-lo o permitir que fosse aberto, alegando que revelaria muitos segredos, mas no final, acabava cedendo e o “novato” podia apreciar o que ele escreveu. Imaginem o que estava lá? Afinal, era uma vida bem agitada, conhecida por quem estava próximo ou por quem simplesmente o conhecia. Imaginou? Pois errou. O livro era totalmente em branco. A única coisa que tinha era um título, na capa. Conteúdo, nenhum. Era, na verdade, uma pegadinha e tinha por objetivo mostrar que os homens, pelo menos na ótica desse meu amigo, não aprendiam nada sobre o sexo, praticando-o mecanicamente e sem levar em consideração o outro lado.

Aparentemente, a liberação sexual que ocorreu a partir da segunda metade do século XX não mudou o panorama da ignorância. E podemos alinhar como uma prova disso a reportagem em que “pacientes” e “doutores” falam do assunto. No primeiro lado, dúvida, dúvidas e dúvidas… Do segundo, explicações que são mecânicas, mostrando que se pode proceder de outra forma. Será que adianta? O que sei e que ficou patente nos depoimentos é que existe desconhecimento, mas as pessoas não são desinformadas sobre outras coisas. Aparentemente, o que existe é uma espécie de tabu de informar-se sobre sexo. Prevalece, então, o velho machismo latino, com o homem podendo tudo e a mulher sendo apenas passiva.

Aqui, como em tudo na vida, informação é fundamental. Com ela, podemos aproveitar melhor não só o sexo, como muitas outras coisas. Deixando-a de lado, também colocamos a parte ótimas coisas da vida. E sem dúvida, sexo – com participação e correspondência – é uma delas.

“PROBLEMA DE MUITA GRAVIDEZ”

A educação no Brasil, de um modo geral e para dizer pouco, é calamitosa. Quem tem ou teve experiência em salas de aula pode comprovar isso de forma clara. E não se trata, apenas, de escolas públicas na periferia. O analfabetismo funcional também ocorre nas faculdades, com gente fazendo o curso superior sem saber concatenar duas frases.

Existem exceções, sabemos. Mas elas apenas confirmam as regras, como mostram algumas das pérolas do último Exame Nacional do Ensino Médio, o famoso Enem, usado como parâmetro para avaliação do ensino no Brasil. E este assunto não é inédito aqui. Já falei dele em O que eles querem mesmo dizer, também relacionando algumas das tiradas antológicas de quem prestou o exame.

Veja, então, mais algumas dessas pérolas:

  • “O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas..”
  • “O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!”
  • “Enquanto isso os Zoutros… tudo baixo nive…”
  • “A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata
  • Atlântica da região.”
  • “O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém
  • individualmente.”
  • “Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele.”
  • “É um problema de muita gravidez.”
  • “A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO.”
  • “A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase se acabando”
  • “O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que
  • nos unir para realizarmos parcerias juntos.”
  • “Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte
  • seria um bom beneficácio para o Brasil”
  • “Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros”
  • “… provocando assim a desolamento de grandes expecies raras.”
  • “Isso tudo é devido ao raios ultra-violentos que recebemos todo dia.”
  • “Tudo isso colaborou com a extinção do micro-leão dourado.”
  • “Ultimamente não se fala em outro assunto anonser sobre os araras azuls que
  • ficam sob voando as matas.”
  • “Eu concordo em gênero e número igual.”
  • “A conscientização é um fato esperansoso para todo território mundial.”
  • “Vamos deixar de sermos egoistas e pensarmos um pouco mais em nos mesmos.”

E tudo isso é apenas uma pequena amostra. Passei – como professor – por faculdades e pude constatar a penúria dos estudantes em relação à língua. E não saber escrever, em muitos casos, é o de menos. Alguns não conseguem sequer ler e entender o que está escrito.

Ao ler estas pérolas, a primeira reação é de rirmos. Sim, são risíveis, mas trazem, de um outro lado, um aspecto trágico, pois trata-se de jovens que estão se preparando para a vida profissional. E serão eles que amanhã estarão no mercado de trabalho como advogados, médicos, engenheiros, professores, etc.

O que esperar do futuro? Você sabe? Se souber, me diga. Eu temo por ele.

A SIMPLIFICAÇÃO DA LÍNGUA

O que você acha das mudanças feitas na língua portuguesa? Elas irão simplificar a escrita ou complicá-la? Entendo que a iniciativa é elogiável, olhando-se o lado da unificação da grafia para todos os países que falam o português. De outro lado, vejo que, em alguns casos, ao invés de melhorar, as coisas pioraram e as regras ficaram um pouco mais confusas. Uma coisa é certa: a mudança permitirá que a indústria livreira faça um bom dinheiro com a edição de novos livros didáticos que substituirão os até agora usados. No meio de tudo isso, o que ninguém lembra é que há um período de transição para a adoção das mudanças. Neste caso, talvez se reafirme o velho ditado: A pressa é inimiga da perfeição. E você, o que acha de tudo? Já está adotando a nova ortografia?

dardos

EDUCAÇÃO, OS NÚMEROS EXPLICAM

A educação é fundamental, todos sabemos. Mas os números do Brasil explicam a má qualidade do ensino no país, do fundamental, onde mais de 2 milhões das crianças que frequentam as escolas são analfabetas funcionais, à universidade. Tudo é igualado por baixo, o que compromete o futuro de quem, hoje, já perdeu a sequência escolar e encontra-se fora de sua série adequada. Para eles, o futuro será bem mais difícil. Enquanto isso, o blog foi premiado com o prêmio Dardos.

COMIDA COMO FATOR DE SAÚDE

Embora vivamos preocupados com a saúde e em viver uma vida saudável, a publicidade nos estimula a consumir tudo o que não deveríamos, dos sanduíches saturados ao onipresente refrigerante. E isso sem falar nos doces, muitos doces. Comer uma salada, procurar uma carne grelhada parecem sacrilégios e nos deixam com a sensação que estamos vivendo em outro mundo. O desejo de uma vida mais saudável é real, mas sua prática não. E nisso temos uma bela contribuição da indução feita pela publicidade.