Dias de quarentena: ocupando partre do tempo com boa música

MÚSICA: EXPLORANDO E OCUPANDO O TEMPO

Gosto de música e, sempre que posso, passeio pelos aplicativos de streaming à procura de coisas novas. Só que, no dia a dia, arranjamos tantas coisas para fazer que, no final, nos sobra pouco tempo para ficar navegando e descobrindo novas músicas. A quarentena mudou tudo. Elas nos deixou em casa e com tempo a preencher. Tivemos, por isso, de buscar meios de nos ocupar e um dos meios que encontrei foi retomar a exploração de gêneros e tipos de música.

Em um dos primeiros dias da quarentena, prevenindo-me e à minha família do novo vírus que está infectando todo o mundo  – na qual estou ha quase três semanas por opção própria – abri um dos aplicativos de streaming e passeei pelo que oferece. Foi quando encontrei um playlist com música ambiente. Para quem não sabe ou não se lembra, trata-se de um gênero musical que preenche o espaço com som, sem interferir no que fazemos. Ao mesmo tempo, ela pode ser relaxante e não nos tira o foco do que fazemos.

Houve um tempo que este tipo de música sempre estava tocando enquanto trabalhava. Fui apresentada a ela por meu filho, Fábio, gostei e comecei a explorar o que havia, no meu conceito, de melhor dela.  E foi assim que cheguei a grupos como o Bombay Dub Orchestra, Bliss e muitos outros. Mas os dias de ouvir este tipo de música haviam ficado para trás, suplantados por outros tipos e gêneros, muitas vezes sugeridos pelos algoritmos dos aplicativos, que partem do que mais ouvimos.

Com maior tempo, pude explorar os vários gêneros e acabei encontrando um belo playlist com música ambiente. Foi bom redescobrir que este tipo de música continua e oferece bons momentos de entretenimento. Mas não tenho me retido só nele. Tenho aproveitado para descobrir artistas, velhos e novos, e bandas que me chamem a atenção.

Nessa busca, não me limito a fronteiras. Gosto de música brasileira, mas gosto, também, do que vem de outros cantos do mundo. Posso dizer, sem errar, que sou eclético e capaz de ouvir quase tudo em termos de música. Mas o que ficou claro, nestes dias de quarentena, é que redescobri – e gostei muito de tê-lo feito – a música ambiente.

E você, como está ocupando o seu tempo na quarentena?

Festa de família com histórias reais e muito riso

FESTA, BELAS HISTÓRIAS REAIS E MUITO RISO

Reuniões de famílias sempre proporcionam belas histórias reais, de pessoas e acontecimentos que ligam um parente próximo ou distante e que nos diverte. É o que aconteceu comigo há alguns dias. Era aniversário da matriarca da família a que me tornei partícipe devido a um casamento e, na comemoração, filhos, genros, primos, netos e bisnetos em uma miscelânea de dar gosto.

Minha sogra, que tem uma grande família, foi surpreendida pela visita de primas de Minas Gerais, que vieram ao Estado especialmente para as comemorações. E foi com elas que ri muito. Uma delas, especialmente, é muito boa para contar histórias que, na maioria das vezes, a envolve ou alguém próximo, parente ou não.

Sentei-me próximo delas e fiquei, por um bom tempo, ouvindo suas histórias. Elas envolviam um tio de Belo Horizonte e a cada uma, mais risadas. Depois, mudava para o que tinha acontecido com ela própria. E mais risadas. Vinha um intervalo e, de novo, mais risadas.

Bem vividas, cultas, viajadas, essas primas são boas para contar histórias reais, do cotidiano, de gente e nos fazer rir. E o fazem de tal maneira que os personagens envolvidos e suas situações engraçadas acabam saindo exaltados. São pequena gafes, comportamentos interessantes, mas nada que deponha contra o personagem. Na maioria das vezes, ele sai muito bem na fita.

Uma das que mais gostei foi de uma viagem de ônibus. Nessa, era a própria contadora envolvida. Ônibus cheio e, no seu fundo, uma mãe com uma filha pequena e outra de colo, chorando. A garota veio andando pelo corredor e parou próximo de nossa prima. Ela puxou conversa, perguntou nome, de onde era, etc.

O ônibus saiu e a garota continuou ao seu lado. Mais à frente, entrou um outro passageiro que, ela descobriu, era o pai da garota e foi se sentar ao lado da esposa, com a criança pequena. Tão bem chegou, pediu para abrir a comida, pois estava com fome. Chamou, também, a filha para comer.

De longe, a prima ouvia o diálogo, com o pai dizendo à filha que ela deveria levar comida para a amiga – minha prima – que fez no ônibus. De longe, ela não podia saber o que comiam, mas descobriu logo. A criança se aproximou, como havia feito antes, segurando na mão uma coxa de frango e a ofereceu à “amiga”.

O que fazer nessa hora? Sem saída, a prima aceitou a “dádiva”, vendo a garota satisfeita.

O bom da história é a forma como ela é contada, com o passo a passo sendo floreado e culminando com a comida. É risada após risada.

A festa foi ótima e me diverti muito.

Éoceu, o nome estranho do paciente

MÉDICO E PACIENTE: O NOME ESTRANHO

Reuniões de famílias sempre rendem histórias engraçadas. São causos que envolvem quem conta, o que é minoria, e de conhecidos, parentes ou amigos. Seja um mico que pagaram ou situações profissionais em que alguém é colocado e acaba protagonizando um desses causos.

No Dia dos Pais, na reunião de família, ouvi algumas dessas histórias. Uma delas envolve um médico, amigo de um cunhado, e o atendimento a pacientes em uma das cidades da Grande Vitória.

O consultório fica em um posto de saúde do município e a antessala estava cheia, o que é padrão no atendimento à saúde no Brasil. Ele terminou o atendimento a um dos clientes e chamou o outro. Viu entrar um senhor, pessoa humilde. O médico levantou-se, o cumprimentou e pediu que se sentasse.

– O senhor já se consultou aqui antes? Tem ficha neste posto de saúde?

Às perguntas, ele apenas balançou a cabeça, indicando negativa. O médico lhe disse que, antes do atendimento, era necessário fazer a sua ficha, preenchendo um rápido cadastro. Ele novamente balançou a cabeça concordando.

– Vamos começar, então, qual é o seu nome?

– É o seu

– Não, acho que não entendeu. Preciso que me fale seu nome.

– É o seu, doutor.

– Não posso atendê-lo se não me disser como é seu nome. Assim que o fizer, digo qual é o meu.

– É o seu, doutor.

– Pare de brincar comigo, por favor. Tenho muitas pessoas esperando para serem atendidas.

O médico tinha ficado irritado com as respostas recebidas e demonstrou no jeito de falar com o cliente. Ele ficou quieto por uns segundos e respirou fundo.

– O senhor não entendeu, doutor, o meu nome é Éoceu.

O médico ficou surpreso e o cliente, embaraçado. Como ocorre com muitos brasileiros, ele tinha um nome estranho, que não parecia nome.

Depois do nome, veio o sobrenome, a ficha médica foi preenchida e ele atendido. O médico não perguntou a razão do nome, mas, como também é corriqueiro, muitos dos nomes estranhos acontecem devido a erros no registro civil.

No caso do seu Éoceu, acredito que deveria chamar-se Alceu.

HISTÓRIAS REAIS QUE PRESERVAM A MEMÓRIA

As histórias de nossas vidas e nossos causos merecem ser contados.

Às vezes, elas são engraçadas. Noutras, tristes. São da infância, da juventude, do casamento e nascimento de filhos e netos. Envolvem viagens. Marcam datas e acontecimentos de nossas vidas. E as relembramos, contamos, nos emocionamos e revelamos um pouco mais de nós mesmos.

Mas são também histórias de empresas, de organizações, de entidades e das pessoas que as compõem, que as transformaram. São histórias pessoais e empresariais inspiradoras, que merecem ser contadas.

Cada história é tratada individualmente, editada em livro digital – ebook – com projeto gráfico e capa personalizados, o que o torna único. O mesmo arquivo gerado para o livro digital pode ser usado para publicá-lo impresso, transformando o digital em físico.

Estes são serviços que estou oferecendo e para os quais me preparei. Na verdade, estou retomando um caminho que já percorri, como podem ver no meu portfólio, que tem exemplos dos vários tipos de trabalhos que realizei. O que fiz, na verdade, é muito mais amplo, mas os exemplos do portfólio dão um panorama de minha atuação profissional.

O que a maioria pergunta é: quanto custa? O custo varia de acordo com o tipo de história e o trabalho feito, mas estão divididos em três patamares, o que permite o registro da mais simples à mais completa história, guardando-a e garantindo a preservação de uma memória querida.

O que posso afirmar, com absoluta certeza, é que contar a sua história, para mim, é fácil, simples e, dependendo do seu tamanho, rápido.

Mostrando os peitos para os meninos na academia

A GAROTA QUE MOSTROU OS PEITOS

A garota que mostrou os peitos é uma dessas histórias reais, mas improváveis. O cenário é uma academia, com homens e mulheres cuidando do corpo, malhando forte e, também, se exibindo e ao corpo que estão construindo.

Para entender a história, é preciso começar do início. E vamos a ele.

Semanalmente, treino três vezes, sempre acompanhado por uma professora que vai orientando meus exercícios, tornando-os adequado ao meu perfil e fazendo com que vá desenvolvendo uma atividade física saudável.

Minha rotina é chegar à academia, caminhar por três quilômetros em um ritmo mais acelerado que o caminhar normal e, em seguida, ir para a musculação.

Em um dia da semana minha treinadora – não gosto de personal trainer – chegou correndo, como sempre, pois vive indo de uma para outra academia. Ela é uma pessoa alegre, descolada, risonha, que fala com todo mundo, abraça e beija as pessoas e não perde a oportunidade de uma brincadeira. Não há como notá-la e costumo dizer que ela é muito pilhada.

Ela chegou e fomos para os exercícios. Eu me esforçava para fazê-los de forma correta e ela me observava, corrigindo a postura. E foi, de repente, que emendou:

– Achei que já tinha visto tudo, mas não vi.

Imaginei que fosse uma nova história, das muitas que conta, não só a envolvendo, mas também a outras pessoas, sejam relacionadas à sua profissão, sua vida indo de uma academia à outra, ou mesmo pessoal. Fiquei curioso.

– O que foi que aconteceu? Conte-me.

Ela contou.

Estava em outra academia, acompanhando um de seus alunos, quando uma das “garotas” que estavam malhando se aproximou dela e chamou outra, próxima.

– Fulana – disse – mostra pra ela a sua marca de biquíni.

A “garota” se aproximou e colocou uma das mãos sobre o seio – que ela chamou de peito – abriu a blusa e mostrou para minha treinadora a marca. Só que, no movimento feito, ela expôs os peitos para os que estavam à volta, fossem homens ou mulheres. Na verdade – e aparentemente de propósito – a “garota” havia mostrado os peitos para os meninos à volta.

Minha treinadora ficou muito surpresa, pois não esperava tal ação, e teve um ataque de riso, não conseguindo parar de rir.

– Fiquei nervosa, pois nunca vi nada assim. E não conseguia parar de rir. Tive que ir ao banheiro para me controlar.

Uma história real que nos surpreende mas que faz parte do nosso cotidiano.

Comprei um e recebi dois pares de tênis. Um era presente.

O CASO DO TÊNIS DUPLICADO

Há alguns meses comprei um tênis novo. Vinha pesquisando e encontrei um modelo que gostava no preço que me agradou. Só que, antes da compra, eu o havia mostrado à minha esposa e dito que havia gostado dele. Mas não disse que o havia comprado.

A compra foi feita on line e após fechá-la, fiquei aguardando o tênis chegar e comprovar se, efetivamente, tinha feito uma boa compra. O vendedor me surpreendeu, entregando a compra antes do prazo previsto e descobri essa antecipação ao chegar em casa à noite.

O que vi foram duas embalagens idênticas. Imaginei que minha esposa também tivesse feito uma compra e, por coincidência, a minha e a dela haviam chegado juntas.

Por curiosidade, peguei os dois pacotes. No primeiro, estava lá o meu nome. Era o que tinha comprado. Decidi olhar o segundo e, surpresa, também estava no meu nome. Achei estranho e abri a primeira caixa. Era o tênis que havia comprado.

Abri a segunda. Nela tinha outro par de tênis idêntico ao primeiro. O que imaginei é que o vendedor havia errado, enviando a mesma compra duas vezes. Não fazia sentido ficar com dois tênis idênticos e me preparei para contatar o vendedor e fazer a devolução de um deles, ainda pensando que tinham vindo em duplicidade.

Recoloquei o par duplicado na caixa e a separei, já a preparando a devolução.  Foi quando o telefone tocou. Olhei. Era minha filha no Face Time. Atendi, conversamos, e contei a ela a história do tênis. Ela começou a rir e não entendi a razão.

Esperei. Ele ficou séria novamente e me contou:

– Pai, eu e meu irmão, compramos o tênis como um presente do Dia dos Pais. Era uma surpresa pra você. Mamãe nos ajudou a escolher, pois tinha visto você olhando tênis e mostrou a ela um que tinha gostado e ela nos falou.

Era uma surpresa. E foi com ela que descobri que não havia comprado dois pares e que, tampouco, tinha havido engano.

É típico de meus filhos, que sempre estão inventando meios de me agradar, mas gostam de me surpreender. E, não vou mentir: adoro este tipo de surpresa.

Fiquei feliz com o presente mas ainda tinha a tarefa de ver o que faria com dois pares idênticos de tênis. Liguei para o vendedor, expliquei o que havia acontecido e perguntei se poderia trocar um deles.

Para encurtar a história: O que seria um novo par de tênis acabou por se transformar em dois novos pares. Troquei um deles, escolhendo outro modelo que me agradou.

Foi um final feliz, em todos os sentidos.

Eufemismo ameniza uma palavra mais forte

O NASCIMENTO DE UM EUFEMISMO

Eufemismo. Você já se deu ao luxo de ir ao dicionário e ver o que significa? Saibamos ou não, eles existem e muitas vezes nascem quase que de modo espontâneo, espalhando-se e tornando-se corriqueiro, até entrar no dicionário.

Veja o exemplo de “garotas de programas” um eufemismo para a mais antiga profissão do mundo. O que o nome significa, na verdade, é a velha prostituição, a venda do corpo para o prazer de outro, o sexo vendido como mercadoria. Ao chamar quem é da profissão de “garota de programa” ameniza-se o impacto que a atividade exerce sobre muitos.

A esta altura deve estar perguntando qual o propósito desta conversa. Vou contar. Antes, preciso contextualizar o acontecimento.

Por alguns anos trabalhei em um prédio novo, o começo da ocupação de área recuperada ao mar que hoje está cheia de “espigões” – aqui, o eufemismo é depreciativo. Com pouco estrutura nas cercanias, no térreo do prédio nasceram vários serviços. Um deles era uma ótima lanchonete que, no almoço, oferecia um prato feito a que muitos – e eu também – recorriam.

“AGORA, EU SOU NAMORADEIRA”

Várias ajudantes passaram, neste tempo, pela lanchonete. Uma delas, ficou mais tempo. Ela se destacou pela atenção dada aos que frequentavam o lugar, estava sempre disposta a conversar, vivia com um sorriso nos lábios e era bonita. Por meses, fui atendido por ela. Até que um dia não mais a encontrei.

Dias e semanas se passaram e, ao chegar ao trabalho, a encontrei. Quis saber se já estava em novo emprego, mas apesar das tentativas não tinha conseguido se empregar. Ainda está à procura de um novo trabalho.

Foi uma conversa rápida e subi para o trabalho. O tempo foi passando e talvez um ou dois meses depois – sou péssimo com datas – chegou ao escritório e emendou:

– Você se lembra da Letícia, que trabalhava na lanchonete?

Disse que me lembrava e ele contou que a havia encontrado ao chegar ao prédio e ficou um tempo conversando com ela, que havia lhe contado ainda não ter arranjando novo emprego. Acrescentou, segundo ele, sorridente que não ia mais procurar, pois iria começar nova atividade.

– Que atividade é essa? Perguntou o meu sócio.

– Eu agora sou namoradeira, respondeu.

Fiquei esperando pois tinha certeza que haveria uma conclusão e não me decepcionei. Meu sócio, que é direto, parou e explicou a conversa tida com a “namoradeira”, entendendo o que a nova atividade significava.

A jovem havia adotado a mais velha profissão do mundo, virando “garota de programa”, usando o seu corpo, jovem e belo, como fonte de renda. Mas o que e disse mesmo foi:

– Ela virou puta. Entrou para a prostituição.

Eu tinha entendido. Nada comentei, mas pensei: acabei de ver o nascimento de um novo eufemismo.

Trabalho sujo, uma tarefa realizada, por exemplo, pelos lixeiros

TRABALHO E AS TAREFAS QUE NÃO VEMOS

Como é o seu trabalho? A pergunta, que não é assim tão comum, deveria ser corriqueira, pois sempre estamos buscando informações sobre o que as outras pessoas fazem. Mas, neste caso, o mais comum é perguntar: O que você faz? Estamos, aqui, no nível do que comumente se chama de “trabalho intelectual”, entendendo que é, quase sempre, em ambientes refrigerados e com tarefas que contam com a ajuda da mais moderna tecnologia. É isso o que ocorre agora que estou escrevendo este post. Mas, pense bem, isto é a norma? Talvez no nosso meio, sim. Mas fora dele existem tantos outros tipos de trabalhos e, em muitos casos, sequer sonhamos com o que as pessoas fazem para viver.

É interessante que não nos despertemos para isso, talvez devido à acomodação que a própria atividade nos traz e que, no final, nos deixa pensando que todo mundo tem trabalho idêntico ao nosso. Isso está longe de ser verdade e já serviu, até, para uma série na Tv a cabo, que no Brasil se chama “Trabalho Sujo“, que apresenta tarefas bem desagradáveis, mas que muitas pessoas fazem. Afinal, este é o trabalho delas. É o caso, por exemplo, de um amigo de minha filha que vivendo nos Estados Unidos ganhava a vida lavando cadáveres, preparando-os para os funerais. Esta é uma tarefa que existe aqui no Brasil, também, mas da qual não tomamos conhecimento e nem falamos.

O que me chamou a atenção para o assunto foi uma matéria de uma jornalista australiana que relata o encontro com uma profissional que faz este tipo de trabalho, limpando casas em que as pessoas suicidam e fazendo outros tipos de limpezas e arrumações que, do nosso ponto de vista, vai além do trabalho sujo. É o modo que arrumou para ganhar a vida e, nele, executa tarefas que ninguém mais quer fazer e que deixa o lavar cadáveres como uma das mais agradáveis. Ah, dirão, é lá longe do outro lado do mundo, muito longe daqui, de onde estou. Ledo engano. Aqui também se morre, se suicida, se suja e sempre existe alguém para limpar. Se não é da família, é algum profissional que aceita encarar a tarefa.

Um dos aspectos que a matéria expõe – válido também para nós, brasileiros – é que se temos Polícia, Bombeiros e Médicos envolvidos, por exemplo, em um acidente, a eles cabem dar atendimento, esclarecer, socorrer. O lado da limpeza, no entanto, não lhes cabe nem é a tarefa deles. Isto tem de ser feito por outros e, neste caso, apresenta-se mais um “trabalho sujo”. O que ocorre, na verdade, é que lá fora, longe dos ambientes condicionados, existem milhões de pessoas que fazem coisas que não imaginamos para viver. Do nosso lado, na redoma de vidro em que vivemos, achamos que o trabalho se executa em um computador, com o uso do celular e com programas que nos ajudam nas tarefas.

Isso é verdade, sim, mas não para todos. E constatar esta realidade é fácil, bastando olhar para a rua e ver o gari que faz a limpeza ou o recolhimento do lixo produzido nos belos prédios em que vivemos, que estão bem visíveis. Quando aos outros trabalhos sujos, eles podem não aparecer, mas existem. E é deles que milhões de pessoas, no Brasil e no mundo, sobrevivem. Fazem uma atividade silenciosa, que não traz status social e que não lhes traz reconhecimento, mas lhe garantem a sobrevivência. Assim como nós, são trabalhadores e talvez executem, no final, tarefas mais essenciais que a nossa.