Vacina salva vidas, exemplo na família

VACINA SALVA VIDAS, UM EXEMPLO NA FAMÍLIA

A vacina contra a Covid 19 salva vidas. É um fato comprovado e tenho um exemplo muito próximo, na família. Minha sogra foi uma das primeiras a tomar a vacina e agradecemos ao SUS e à ciência por ela. O fato de estar vacinada não relaxou os controles e ela não só manteve o isolamento social, o que lhe foi difícil, devido ao encontro com os filhos, netos e bisnetos.

O que a ciência diz sobre as vacinas contra a Covid 19, que elas previnem o agravamento da situação de quem é infectado, vimos acontecer com a minha sogra. Apesar dos cuidados tomados, ela acabou sendo infectada. A família entrou em pânico, não só devido à sua idade, mas principalmente por ter asma, o que complicaria a situação no caso de contrair a Covid, uma doença respiratória.

AÇÃO PREVENTIVA DA VACINA

Confirmada a infecção, a primeira providência foi consultar a sua médica, geriatra que a acompanha há anos. O que ela constatou é que os sintomas eram leves e que minha sogra ficaria em casa fazendo o tratamento, começando com a adoção de antibióticos. Devido à asma, a respiração dela ficou ruim e esse foi o sintoma mais claro.

Com controles diários e constantes aconselhamento com a médica, ela passou, até de forma tranquila, a enfermidade. O que poderia ter sido devastador, graças à vacina, não o foi. Sim, foi preocupante, mas a ação da vacina se mostrou muito eficaz, evitando o agravamento da doença e preservando a vida da minha sogra.

Este, é evidente, não foi o único caso de ação preventiva da vacina contra a Covid 19. Mas foi o que vivenciamos mais de perto, acompanhando o dia a dia da minha sogra e sua evolução. Hoje, ela está bem, voltou à vida normal, é uma pessoa ativa e resolvida, apesar dos seus 90 anos.

DESPREZO À CIÊNCIA E NEGACIONISMO

Se um caso pessoal serve de exemplo – e acho que serve, baseado em pesquisas científicas já feitas – se o Brasil tivesse adotado a vacina mais cedo e houvesse, de parte do Governo Federal uma ação efetiva em prol dela, teríamos salvado milhares de vidas. O que fica evidente é que o desprezo à ciência e o negacionismo, matam.

A adoção das recomendações da ciência teriam evitado o genocídio. É certo que não evitaria todas as mortes, mas as diminuiria grandemente, tirando-nos da desonrosa posição de segundo país do mundo com mais mortes, numericamente, e caminhando a passos largos para posição ainda mais desonrosa de primeiro lugar.

Ação rápida, isolamento social, conscientização da população, medidas sanitárias rígidas, controles da infecção e, por fim, a vacina, mostraram-se eficazes em várias partes do mundo, não importando a ideologia dos governos. Infelizmente, não tivemos nada disso.

O que tivemos foi um profundo desprezo pela morte.

Reconhecimento facial, tecnologia de adoção crescente

RECONHECIMENTO FACIAL, PARA O BEM OU PARA O MAL

A tecnologia em si não é boa, nem má, tem nos ensinados filósofos desde há muitos anos. O que determina como ela se tornará é a sua utilização. É nessa hora que determinada tecnologia pode se tornar má ou boa. Ou até pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Já há alguns anos estamos vivendo uma revolução tecnológica. Tome-se por base o telefone celular e recue 10 anos. Ele era rudimentar. Em uma década, deu um salto, transformando-se na extensão de nossos braços e nos ajudando a comunicar e a nos divertir, trazendo informação e lazer.

Se o resultado provocado pelo celular é bom ou mau, resta discutir. Existem os que pensam que o impacto por ele causado está criando problemas. Outros, o veem como um bom avanço. Saber se é bom ou não, não se prende ao celular, mas a toda nova tecnologia.

Vamos tomar como base um novo campo que está avançando a toda velocidade: o reconhecimento facial. No caso do iPhone, da Apple, ela descomplica mexer no aparelho e nos aplicativos que podemos ter nele. Na vida, de um modo geral, há quem afirme que estamos muito próximos do Grande Irmão, como no livro 1984.

Quem hoje está mais avançada no reconhecimento facial e o utiliza intensivamente, segundo especialistas, é a China. Seus cidadãos podem ser reconhecidos por ela no trabalho, nas ruas, nas compras, etc. O que esta quase onipresença nos traz é o fim da privacidade, o que nos pode levar a um grande reality show – aliás, dos programas preferidos nas TVs do mundo todo.

O reconhecimento facial é uma nova tecnologia e tem por trás outros dos modernos avanços, a inteligência artificial. É a partir dela que algoritmos são treinados para determinadas tarefas, uma das quais analisar e reconhecer as pessoas. Mas não só elas. Também placas de carros, objetos, mercadorias e muito mais.

O que vivemos, de acordo com especialistas, é o liminar de um novo tempo, com a inteligência artificial podendo ajudar o homem em vários campos, indo da medicina à manipulação de objetos e, chegando em casa, com robôs que irão assumir as tarefas repetitivas diárias exercidas por pessoas.

O que temos, nos tempos atuais, é a excitação com o avanço, de um lado, e o medo, do outro. A questão é onde vamos parar e as consequências desse avanço. Ele será para o bem ou para o mal?

Confesso que não sei dizer. E você, qual é sua opinião sobre o avanço da tecnologia? Dê sua opinião.

O corpo humano forma um microbioma com trilhões de bactérias

CORPO HUMANO, UM VASTO CONDOMÍNIO

O que você acha de vírus e bactérias? Antes de pensar no assunto saiba, com garantia da ciência, que neste exato momento mais de 100 trilhões estão vivendo no seu corpo, transformando-o em um vasto condomínio – um assunto já abordado em A vida em condomínio. O próprio corpo humano, de acordo com a ciência, cria as condições para que estes organismos microscópios, que não vemos, mas que nem por isso estão ausentes do nosso microbioma, cresçam e se expandam. O fato é que, sem sabermos ou sentirmos, eles estão trabalhando, colaborando ou ajudando no bom funcionamento do corpo humano.

O que me fez voltar à questão foi um longo artigo do professor Michael Pollan na revista do New York Times. Para quem não conhece, Pollan é um dos maiores especialistas em alimentação, com vários livros publicados sobre o assunto, mostrando o que devemos comer e como devemos comer para não só permanecermos saudáveis, mas para evitar a obesidade e outras doenças que infestam a humanidade. Pois bem, no artigo, ele discorre sobre a descoberta feita de que o seu corpo não era dele, somente, mas um condomínio para trilhões de outros “seres”, formando um bioma que é fundamental para o equilíbrio do nosso corpo.

Mas onde estão estes “bichinhos”. O sequenciamento genético de Pollan mostrou que elas estão por todo o corpo: na pela, na boca, no nariz, nos ouvidos, nos órgãos sexuais e internamente, nos intestinos e nas próprias células. Aparentemente – e esta é uma conclusão minha, pois Pollan não fala nela – o corpo humano não funcionaria sem o condomínio. Veja-se o caso da digestão, por exemplo. Sem as bactérias, teríamos dificuldades para digerir muito do que comemos. E o mesmo ocorre com outras funções.

O que a genética revela, por outro lado, é que este microbioma pode ser usado até como tratamento, pegando-se parte dele, em quem é saudável, e transferindo-o para quem tenha problemas. Existem experiências bem sucedidas neste campo, o que nos mostra como o “condomínio” é importante, mesmo quando por alguma disfunção ou desequilíbrio, acabamos tendo problemas, causados pelas bactérias que não são do “bem”. Sim, elas existem e também estão no nosso corpo, ficando à espera de que algo dê errado e com isso, entrarem em ação.

No final, por ser seu tema, Michael Pollan leva a questão para o lado da alimentação, mostrando como é importante comermos de maneira saudável, até para oferecer ao nosso microbioma o que ele precisa para manter o equilíbrio do corpo humano. Ao concluir, lembra que embora não conheçamos muito do funcionamento desse microbioma, conhecemos bastante dele, o que nos dá indicação do que fazer. E mais uma vez ressalta que um dos principais passos é a alimentação, fundamental para os seres humanos.

Depois de tudo, me diga: Como é que você está cuidando do seu condomínio?

Salto alto faz com que mulheres comprem menos

COMPRAS, SALTO ALTO E CIÊNCIAS

A ciência é fundamental na vida de nós, humanos, e hoje, nos modernos tempos líquidos, o comportamento tornou-se um dos temas centrais de pesquisas em grandes e pequenas universidade. É preciso identificar como o consumidor se comporta, o que quer, como pensa e que impulsos o levam ao consumo, de um lado. De outro, a ciência quer aferir o que é que permite ao comprador uma decisão mais equilibrada, evitando gastar muito, quando pode gastar menos.

É nesse sentido o título deste post para estabelecer a relação entre salto alto, compras e ciência. Sim, pode até parecer brincadeira, mas os três estão relacionados e quem garante são pesquisadores da Universidade Brigham Young, de Utah, nos Estados Unidos, uma das mais conceituadas instituições de ensino daquele país. A questão, segundo eles, é que o salto alto foca a mulher no seu próprio equilíbrio e, com isso, consegue dosar melhor a sua decisão na hora da compra.

Os cientistas citam o caso da compra de um novo aparelho de TV, com a escolha entre três modelos. No caso do uso de salto alto – high hills, como chamam – a compra é feita optando-se pelo melhor custo benefício, não se focando em economizar mais ou, no caso oposto, de se gastar mais que o necessário. O foco no equilíbrio funciona também para homens e não está restrito ao uso de saltos altos, comuns entre a maioria das mulheres.

Assim, funcionam exercícios de yoga e, mais para o caso masculino, subir e descer escadas. Ou no caso de compras on line, afastar-se do computador, forçando a cadeira para tras, o que obriga o corpo a se equilibrar. Os cientistas, na verdade, estão enveredando por um novo campo, que pretende medir o que o consumidor sente na hora da compra e como é que dirige estes sentimentos na escolha de um determinado produto. Já foram feitas pesquisas envolvendo calor e outros tópicos, todos tentando medir o comportamento do consumidor e como ele reage em determinadas situações.

Em um tempo em que se vende experiências, não o produto em si, aferir como todos nós nos sentimos na hora da compra é importante. Primeiro, para que possamos nos nortear, contrapondo nossa vontade ao impulso criado pelo marketing. Se tivermos melhor equilíbrio, podemos comprar mais e melhor, evitando gastar muito e o desperdício. A ciência, neste caso, vem ao encontro do consumidor, mas como em toda moeda tem dois lados, oferece ao vendedor ferramenta poderosa, que pode ajudá-lo a melhorar a experiência na hora da compra e, com isso, ampliar o universo de venda.

O fato é o que parece uma brincadeira, caminha para se tornar um ramo sério e importante da ciência, bem dentro do espírito destes novos e imprevisíveis tempos em que vivemos. Como diria meu pai, vivendo e aprendendo. Agora, antes de comprar alguma coisa vou subir e descer as escadas dos shoppings e só depois disso é que entro na loja. Se a ciência garante que funciona, eu acredito. E você?

A VIDA EM CONDOM͍NIO

Se olharmos bem, temos de admitir que a vida humana – e todas as outras existentes na Terra – são simbióticas, pois dependem diretamente do meio em que vivem, necessitando de um ou outro elemento para a sua sobrevivência e expansão. Às vezes pensamos a simbiose apenas como a complementação de duas vidas, que podem ocupar um mesmo espaço, mas o seu conceito pode ser expandido, abrangendo a vida de um modo geral, pois é sempre dependente, não existindo somente por ela.

Nós, humanos, tornamo-nos o animal dominante no planeta e, por isso, não pensamos na dependência dos outros. Muito menos vemos o outro lado da questão, de quem depende de nós. O que me chamou a atenção para a questão foi uma matéria publicada há dias pelo jornal A Tribuna, de Vitória, falando na possibilidade de o beijo – não o de amigo, mas na boca, entre namorados – pode transmitir doenças, passando-a de um para outro através do contato e dos fluidos – que nome, hem? – que são trocados.

A informação chamava a atenção para a transmissão de bactérias que provocavam no novo hospedeiro um determinado tipo de reação. A partir daí­, mostrava como combater o problema ou, mesmo, evitá-lo, começando por evitar os próprios beijos. O que a matéria não discutiu é  que, na verdade, a vida humana é uma vida em condomínio. Nosso corpo, interna e externamente, é coabitado por bilhões de bactérias e elas, na maioria das vezes, desempenham um papel importante no funcionamento corporal.

Normalmente, não pensamos nisso e só despertamos para as bactérias, vírus, etc., quando estão associados a alguma doença, como é o caso do beijo na matéria do jornal. Só que o beijo, além do prazer que traz, é também uma ampla troca de bactérias, pois existe uma grande comunidade delas em nossas bocas, assim como no couro cabeludo, nas partes íntimas, nos pés, e vai por aí­ afora. Como somos coabitados por milhões de minúsculos “seres” que não vemos, estamos sempre recebendo alguns deles ou passando-os para outros.

Como disse, nunca pensamos nisso, mas quando vemos uma matéria falando em infecção, transmissão de doenças, somos logo atraí­dos e pensamos o que fazer pare evitar a contaminação. Vamos parar de beijar? Acho que não. Também não vamos parar de ter outros contatos, íntimos ou não, fazer sexo, abraçar. Enfim, não vamos deixar de relacionar apenas por saber – ou por propositalmente ignorar – que nossa vida é  única, mas não vivemos sozinho. Onde quer que formos, estamos levando um amplo condomínio.

Em alguns momentos, a companhia que temos e que vivem em condomínio conosco é boa. Noutras, não.

A FORÇA DO ESTEREÓTIPO

Se olharmos um pouco atrás, na história, veremos que as mulheres já foram vistas como seres inferiores, incapazes até de tomarem uma decisão por elas próprias, deixando-as aos homens da casa, fossem eles pais ou maridos. Hoje, infelizmente, essa visão ainda persiste em algumas partes do mundo, mas no Ocidente, principalmente, as mulheres conquistaram espaços que antes lhes era negado e hoje competem com o homem em pé de igualdade em qualquer das atividades humanas.

Houve uma evolução. Mas isso não significa que alguns estereótipos continuem. Um deles é que as mulheres são menos aptas à matemática que os homens. Se você crê nisso, saiba que está errado e que não há base científica para este tipo de conclusão. A afirmação não é minha, mas de um grupo de cientistas da área de psicologia que acaba de divulgar um novo trabalho que simplesmente demole estas afirmações.

O que os cientistas fizeram para chegar a uma conclusão diferente da crença popular foi confrontar os estudos existentes sobre o tema. E ao fazê-lo, descobriram que estes estudos de científicos só tinham o nome, pois eram baseados em técnicas falhas, no mau uso da estatística e contornava um dos pilares da ciência, que é a comparação de dados. Ao afirmar que as mulheres são menos aptas para a matemática, os “cientistas” nunca submeteram homens aos mesmos testes, comparando os dois resultados.

O que a nova pesquisa nos mostra é a força do estereótipo. Ouvimos uma coisa por tantas vezes que acabamos acreditando nela. Como não somos psicólogos, nem cientistas, somos levados a crer nas “afirmações cientificas” que nos chegam. Afinal, pensamos, a ciência é isenta e se apresenta um resultado é porque ele, efetivamente ocorre. Ao darmos o crédito a um estudo cientifico estamos oferecendo uma base insuspeita para os nossos argumentos e, assim, as mulheres tornaram-se burras, pelo menos no que se refere à matemática.

A demolição do estereótipo pode nos trazer, ainda, uma outra revelação, de que a ciência, às vezes, não é assim tão científica. Existe uma explicação para isso, que poderíamos chamar de enquadramento. Através dele, vemos as coisa de acordo com o que somos e acreditamos. Se entendermos que as mulheres são inferiores, iremos buscar dados que comprovem o que já sabemos, dando base científica a um conhecimento ou a uma crença popular. Instituíamos, assim, o preconceito.

Fugir dessa armadilha é difícil, mas um dos meios é sempre ter a mente aberta, seguindo o conselho de Frank Zappa. Ao adotarmos esta postura, mesmo diante de afirmações cientificas, sempre nos sobra a dúvida sobre o método empregado, os números usados, as técnicas apropriadas e, no final, podemos colocar em dúvida o resultado. E podemos fazer isso por uma razão muito simples: o conhecimento é cumulativo e está sempre sendo atualizado, o que significa dizer que o que é um fato hoje, pode não mais ser amanhã.

É o que acaba de acontecer com a teoria de que as mulheres são menos aptas à  matemática que os homens. De conhecimento cientifico, virou uma falácia. Quem nela cria para basear seu comportamento viu-se sem base. Aliás, como dizia Marx, tudo o que é sólido desmancha no ar.

CÉREBRO COMO CENTRO DO V͍CIO

Por que alguém é viciado em algo que, sabe, vai acabar destruindo sua vida? Eu – e todos nós – temos ouvido esta pergunta, sobretudo nestes tempos onde o vício se espalhou, transformando-se em um negócio milionário e que envolve todos os estratos da sociedade e que só faz aumentar. Se olharmos o que tem sido publicado, vamos elencar as mais diferentes razões para explicar ou justificar o vício, indo desde questões familiares à própria situação econômica, com o desejo de ter uma vida melhor, com maior ganho e com mais coisas.

O que se pensava era que a decisão de consumir uma droga – lícita ou ilícita – era de cada pessoa e que o vício chegava, dentre outros fatores, pela falta de vontade em abandonar o consumo. Este, aliás, tem sido um dos pontos explorados por filmes mais recentes, já que alguns, mais antigos, mostram o outro lado da droga, a miserabilidade que traz às pessoas, deixando-as à mercê de outros que só tem o intuito de explorá-las, fazendo mais dinheiro.

O que pensávamos, até agora, sobre drogas e vício acaba de ser posto por terra por cientistas que investigam o funcionamento do cérebro. O que eles descobriram é que o vício – todos eles – é comandado por uma parte específica do cérebro. É a atividade cerebral que faz a repetição do consumo, levando alguém que prova uma determinada droga, como o crack, a repeti-la e exigir cada vez mais. A descoberta é vista como um importante avanço.

O fato de ter sido feita não significa, no entanto, que estaremos resolvendo, de imediato, a questão dos vícios. Os cientistas sabem que é o cérebro que está no comando, mas não sabem, ainda, como é que ele funciona, fazendo com que alguns se viciem e outros, não. O desafio, agora, é exatamente descobrir como os neurônios comandam a exigência pela droga. Quando chegarem a isso, os cientistas terão condições de agir para fazer com que o cérebro aja de modo diferente, mandando comandos que, ao invés de dar boas vindas, rejeite as drogas.

A descoberta põe, novamente, o cérebro em evidencia, uma parte do corpo humano que é vital, pois tudo comanda, mas que ainda é pouco compreendida pela ciência. E traz, de novo, a velha discussão entre ambiente e genética e qual deles é que determina o comportamento humano e, se ele for genético, teremos como mudá-lo. Hoje não mais existem dúvidas da influência do ambiente, mas também os cientistas estão certos do papel exercido pela genética. Em alguns campos, uma tem maior influência que as outras e este parece ser o caso das drogas.

Estamos no limiar de um grande avanço. A dúvida é quando ele vai acontecer e o que será necessário para controlar o vício, fazendo com que as pessoas deixem a dependência química de lado. O caminho já foi iniciado e, certamente, levará a um resultado. O que não devemos deixar de lado é que, também do outro lado, daqueles que exploram o vício, há avanços, como mostram as drogas sintéticas. A ciência não é feita só de bons mocinhos, como sabemos.

De qualquer forma, a descoberta feita nos Estados Unidos nos abre a esperança de, em algum tempo mais, vermos resolvida a questão do vício. Se não em sua totalidade, pelo menos oferecendo ferramentas que possibilitem a quem assim o quiser, livrar-se dele.

O INCR͍VEL MILAGRE DA VIDA

Normalmente não pensamos muito na vida e como ela foi formada, principalmente quando se trata de um seres tão complexos como os humanos. Foi Deus, dirão os que nele creem. Foi a evolução, dirão os que colocam a ciência acima de tudo. Se foi um ou outro, não importa. Se olharmos bem, veremos que a vida é um incrível milagre e o que me chamou a atenção para isso foi um documentário que mostrava desde a concepção até o nascimento de gêmeos, trigêmeos e quadrigêmeos.

Pense bem e me responda: Como é possível formar um homem ou uma mulher a partir de uma única célula? Não. Não me fale do processo científico, da divisão, de células tronco, de tudo o mais. Vamos, aqui, à essência que é o porque de acontecer deste jeito. Os que tem conhecimento sabem do processo biológico, mas é preciso olhar além dele e imaginar a dimensão que é a criação de uma vida, seja ela humana ou não.

Se já é quase inconcebível que o encontro de um esperma com um óvulo forme uma célula e dela saia um ser humano completo, o que dizer de gêmeos unizigóticos, quando esta mesma célula gera dois humanos idênticos, pelo menos geneticamente. Ele um pouco mais e chegaremos aos quatros gêmeos unizigóticos. São quatro novas pessoas que surgiram a partir de um único óvulo. Como explicar isso?

Pelo que tenho lido e visto, a ciência consegue descrever as fases que levam a formação da vida, iniciando no ato sexual que libera o esperma masculino e que é impulsionado, pela mulher, até o encontro de um óvulo. Do encontro, nasce uma minúscula célula e, dela, um ser humano. O processo está bem explicado, documentado, filmado e reproduzido em efeitos digitais de alta qualidade, mas não o porque de ocorrer assim.

Para termos um parâmetro do que ocorre basta tenta multiplicar aos milhões e bilhões alguma coisa que tenha começado com apenas uma peça. Imagine que você tenha uma moeda de um real e, em nove meses, irá multiplicá-la por bilhões, construindo uma enorme fortuna. Em outros termos é isso o que uma simples célula faz, passando de uma a bilhões em nove meses e, deste processo, surgindo um homem ou uma mulher.

Deus ou a ciência podem explicar, dependendo do ponto de vista. As explicações, no entanto, não tiram de todo este processo, que proporciona o surgimento da vida – no campo animal e no vegetal, pelo menos – a aura de um milagre. A vida, por si só, já é um milagre, já que enfrentou e venceu todas as adversidades colocadas pelo planeta. Como disse, não pensamos nisso, mas a cada hora, a cada minuto, um novo milagre está começando.

A cada minuto surge uma nova vida. E a vida é sempre um incrível milagre.

TWITTER, CIÊNCIA E SEGUNDAS-FEIRAS

Como é que você se sente em relação à segunda-feira, principalmente pela manhã? Se é um dos que odeiam o dia e acham que não há nada pior do que acordar cedo e ir trabalhar em uma segunda, saiba que não é a maioria, mesmo que queira acreditar nisso. A constatação de que, ao contrário de você, o mundo não encara o início da semana com olha negativo, é de uma pesquisa feita nos Estados Unidos a partir de mais de 500 milhões de twetts. A conclusão é que, pelo que os usuários dizem no microblog, da para sentir como é o mundo e, nele, as pessoas.

A pesquisa foi publicada pela revista Science, uma das mais prestigiadas do meio cientifico, e afirma que as pessoas são mais animadas nas manhãs, inclusive as de segunda-feira, principalmente em dias mais claros e luminosos. Com isso, joga por terra a afirmação – de certa forma generalizada – de que a segunda-feira é o pior dia da semana. Segundo a impressionante quantidade de twetts usados na pesquisa, não é.

Se há – e isto é certo – um lado curioso no que os pesquisadores fizeram, podemos olhar as constatações de outra forma, vendo como é que os vários instrumentos e ferramentas que a tecnologia colocam ao nosso dispor acabam influenciando nossas vidas e relevando nossos hábitos. É o caso do Twitter. Ao manifestarmos algo, achamos que estamos fazendo aquilo apenas dirigido aos nossos amigos, àqueles que nos seguem. Não é bem assim, como mostra a pesquisa.

Ao colocar em 140 caracteres o que estamos fazendo, o que sentimos e como nos sentidos, estamos abrindo este sentimento para o mundo e permitindo que cientistas, como os da Universidade de Cornell, coletem os dados e cheguem a quase surpreendente constatação que fizeram. Como o Twitter hoje é uma ferramenta universal, presente em todos os países, os cientistas se dizem capaz de sentir o pulso do mundo, determinando estados de espíritos e comportamento dos seres humanos a partir do que dizem tuitando.

Coletados e juntados, os dados se tornam impessoais, revelando o universo, mas não o individuo. Podem, por exemplo, determinar que os usuários do Twitter preferem bacon às salsichas, mas não indicam um individuo e sua preferência pessoal. Mede, neste caso, a multidão, concluindo a partir do que os dados de todos dizem, o que nos torna anônimos, mas não deixa de nos expor ao mundo, seja como coletividade, seja individualmente.

O que dados como os da pesquisa feita por Cornell revelam, mais ainda, é que chegamos, mesmo, ao fim da privacidade. A partir do momento em que nos conectamos a uma rede – internet, mídia social, etc. – colocamos de lado a nossa vida privada e passamos, de certa forma, a partilhá-la com todos de forma proposital ou indireta. E isso fica claro na medição do sentimento das pessoas em relação às segundas-feiras. No final, se é dos que a odeiam, acaba sabendo que é minoria e, se não tem restrições a ela, descobre que faz parte da maioria da população do mundo.

Imagine se isso for feito em relação ao Facebook, que é muito maior e mais abrangente que o Twitter. O que será que descobririam? (Via Reuters, em inglês)