UMA LÍNGUA BEM PARTICULAR

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por Lino Resende em 17/mar/2011

Quem já foi a Portugal sentiu, muito de perto, como é diferente a língua que eles falam por lá e que, como a nossa, é chamada de Português. As diferenças, que são grandes, não impedem, no entanto, que nos entendamos, mesmo que às vezes, precisemos pedir explicações para um ou outro termo, que para nós tem um sentido diferente.

Para sentirmos esta diferença não precisamos ir a outros países. Basta percorrer o Brasil. Em algumas regiões mais e em outras menos, mas temos muitos regionalismos, termos próprios para designar uma ação ou uma comida. Pelo que sei, as maiores diferenças estão no Nordeste, e foi por isso que, revendo e-mails, acabei parando um enviado há algum tempo pela Francy.

Ele mostra o linguajar peculiar de Pernambuco. Confiram como são diferentes os termos usados para vários das palavras mais comuns que usamos no dia a dia:

  • Solteiro – Solto na bagaceira
  • Ir embora – Pegar o beco
  • Conserto – Imenda
  • Empolgar – Ficar com a muléstia
  • Bater – Sentar a mão
  • Conversa – Resenha
  • Água com açúcar – garapa
  • Demorar – Enrolar
  • Apressado – Desembestado
  • Distraído – Avoado
  • Surdo – Moco
  • Envergonhado – Encabulado
  • Passar roupa – Engomar
  • Esperto – Desenrolado
  • Rico – Estibado
  • Lanchar – Merendar
  • Satisfeito – De bucho cheio
  • Perna fina – cambitos
  • Mulherengo – Raparigueiro
  • Jogar fora – Avoar no mato
  • Se dar mal – Se lascar todinho
  • Chato – Cabuloso
  • Pular – Dar pinote
  • Ficar bravo – Ficar com a gota serena
  • Corajoso – Cabra da peste
  • Briga – Arenga
  • Grávida – Buchada
  • Apaixonado – De pneus arriados

Os regionalismos, como todos sabemos, são uma constante no Brasil. Aqui mesmo, no Espírito Santo, que sofre muita influência dos Estados vizinhos, temos termos que só nós usamos e um comportamento no mínimo interessante: o de nunca dizer o nome da rua onde um prédio, por exemplo, está. Mas dar um ponto de referencia para ele. Para nós, é muito comum, mas para que chega, acaba sendo muito estranho. Um pouco desse linguajar peculiar pode ser visto em Os maneirismos regionais.

Se este é um assunto que lhe interessa, uma busca no Google pode leva-lo a milhares de locais onde as expressões regionais estão contempladas. O que se mostra, no final, é que temos é uma língua bem diferente do português formal, juntando o jeito de falar ao longo de todo o Brasil,. Estas diferenças, tal como ressaltado no início, não impede que nos comuniquemos e que sejamos um dos poucos países do mundo com um idioma unificado, que não fala várias línguas, se descontarmos as línguas indígenas que são bem restritas.

E você, o que tem de regionalismo na sua terra? Deixe um comentário destacando o que é diferente ou interessante. Contribua participando desta conversa.

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{ 4 conversas }

Jens março 17, 2011 às 11:54 am

Mas bah, tchê, eu só compreendo três idiomas: o gauchês, o porto-alegrês e o português. Por isto, em se tratando de línguas, às vezes me sinto mais perdido do que cusco em dia de mudança. Agora me desculpa, mas eu tenho que picar a mula. Marisinha, minha musa e secretaria, está aqui ao lado, abanando as tranças.

Um abraço.
***
Abanar as tranças: costuma-se usar a expressão em referência a gente jovem, em especial moças, que saem por aí, abanando as tranças, isto é, fazendo coisas livremente, irresponsavelmente. Claro que não precisa ter trança mesmo para dar origem ao uso.

Loba março 18, 2011 às 8:51 pm

Meu amigo Lino!
Sem regionalismos vou te dizer: que bom estar de volta e te reencontrar! Muitos dos velhos amigos já se foram, outros se mudaram. Poucos, como vc, me dão a sensação de segurança! rs…
Mas falando em linguajar, por aqui nas gerais, especialmente no interior, tem algumas palavras que me soam estranhas, mas no geral o hábito é encurtar as palavras. Por exemplo: a terminação inho passa a ser im. Mineirinho é mineirim. E por aí vai.
Coisas de um país continental, né?
Um beijo, querido.

Luciana Farias março 18, 2011 às 10:13 pm

Lino, eu sou vidrada por sotaques, expressões… Um verbo que eu acho lindo ouvir os pernambucanos falando é “iterar”, no sentido de completar, terminar.

Eu não sei bem quais os regionalismos daqui de São Paulo, mas segundo amigos de outros estados me dizem, somente aqui os paulistas tiram carta de motorista, nos outros lugares é carteira.

Eu sei que eu fico fula da vida quando as minhas filhas ficam ensebando pra fazer a lição de casa, se elas enrolam muito tomam um belo de um sabão.

Beijocas!!!

Unack março 28, 2011 às 5:33 pm

Prezado Lino,
Há algum tempo passo por aqui, por indicação de uma amiga, sua tbém, do blog palavra1.blogspot.com, a Patty q infelizmente, ñ sei o motivo, segundo ela entraria em off por um tempo, e assim ficou. Agora lendo este post, mto interessante, linguajar – expressões e sotaques, nem preciso citar pois cá tbém tem o nosso baianês, porém vale dizer que simplificamos, senão vejamos: andando – falamos andano, gostando – gostano, e as expressões – desarrumado é malamanhado, triste – tá borocoxô, vixe, oxente e assim por diante.
Abraços

Unack

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