UM MUNDO QUASE VIRTUAL

Antes de começar, duas observações. Se não notaram, o blog passou pelas pequenas mudanças de que falei há algum tempo. Mudou o título e a capa, agora com dois destaques com resumo do que neles está sendo dito, voltou o banner lateral de publicidade e as miniaturas nas chamadas para outros assuntos ficou um pouco maior do que antes. O intuito foi o de dar maior visibilidade ao que está sendo exposto e, com isso, facilitar o acesso aos assuntos mostrados na página inicial. A outra observação nada em com mudança, mas, sim, com intervalo: nos próximos dias o blog ficará por sua própria conta. Viajo e só retomo os post no início de maio.

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Tem coisas para as quais a gente só desperta quando alguém nos chama a atenção para elas. Nestes dias, conversando com um amigo ele começou falar em virtualização, assinalando que o mundo em que vivemos está, a cada dia, mais virtual, com muitas coisas – para muitas pessoas – só existindo como imagem. Fiquei curioso e pedi que desse um exemplo, pois virtual, no meu entendimento, era outra coisa.

“Quantas pessoas já viram uma vaca ao vivo e a cores?”, perguntou meu amigo. A grande maioria dos brasileiros e de pessoas em todo o mundo sabem que uma vaca é mesmo uma vaca por vê-las em imagem, na televisão, no cinema. Poucas tem contato direto com o animal, vendo-o solto, no campo, aproximando-se dele ou, em alguns casos, até ajudando a pastoreá-los, explicou e emendou: Muita gente toma e gosta de café, mas quantos já viram um pé de café carregado de frutos, maduros, prontos para a colheita? Aqui, também, o que vale são as imagens da televisão.

A conversa continuou e meu amigo citou outros exemplos. No final, chamou minha atenção para o fato de quem é mais jovem não ter tido – em sua grande maioria – nenhum contato direto com a natureza, daí considerar tão populares os programas nas televiseis abertas e em canais pagos que falam de animais, de lugares exóticos, de incursões por rios e cachoeiras, de contato com animais, etc. A imagem, em todos estes casos, acabam suprindo a necessidade de conhecimento, com as pessoas sabendo o que é uma vaca, como é um rio, a floresta. Mas, reafirmou meu amigo, tudo é virtual, não há o envolvimento físico com os animais ou com o ambiente. Temos tudo isso, mas em um ambiente totalmente limpo e controlado.

Pensando bem, meu amigo tem razão. Já vi gente que pensava que o leite já vinha em caixinha por desconhecer completamente como ele é colhido e processado. Ou outro que achava que café solúvel vinha de um tipo específico de cafeeiro, diferente do café moído ou em grão. Efetivamente, tem muita gente que nunca viu um pé de milho ou outra planta de onde tiramos os alimentos que usamos quase todos os dias. Arroz? Quem já esteve em um arrozal? Trigo? Quem já viu ele sendo colhido?. Não vale dizer que viu através da TV. Deixemos o virtual de lado e falemos do físico. Neste caso, o contato com a natureza é muito pequeno e procuramos controlá-lo ao máximo.

Como humanos, precisamos de ordem, coisa que, definitivamente, a natureza não nos oferece. Ela é caótica por natureza. Então, por segurança, virtualizamos tudo. Assim, podemos ver as coisas sem riscos. Na verdade, as conhecemos, mas, também na verdade, não sabemos como elas são realmente.

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Sobre o Autor

Jornalista, blogueiro e curioso, sempre disposto a aprender.

Conversas (4)

  1. luma :

    Lino, como as coisas mudaram! Se antigamente o pessoal do campo “sonhava” com o que seria a cidade grande, hoje a cidade grande “sonha” com o que é o campo.
    Vi o caso de uma garota que foi em colônia de férias para uma fazenda e ligou desesperada para a mãe ir buscá-la porque pela visão da menina, tudo estava sujo e cheio de poeira.
    O seu blogue sempre muda para melhor! Boa viagem! Beijus,

  2. Miguel S. G. Chammas :

    Feliz Páscoa compadri!
    Tem um selinho prá vc lá no meu cantinho de rabiscos. Passa lá!

  3. Fernando :

    Está com um grafismo excelente. Quanto ao conteúdo não vale a pena falar: sempre foi optimo! Uma boa semana.

  4. Fernando :

    Desculpe-me por não ter ainda ado(p)tado o acordo ortográfico: é que escrevi no comentário anterior optimo em vez de ótimo, enfim trata-se do hábito.

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