PARA QUE SERVEM AS EMPRESAS?

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por Lino Resende em 01/out/2009

Qual é a sua percepção do papel das empresas? O que você acha delas terem lucro e em que ele deve ser aplicado? Não exatamente assim, nestes termos, mas a Futura, uma empresa especializada do Espírito Santo saiu às ruas e perguntou aos capixabas o que eles acham que deva ser o papel da empresa e como vêm o lucro que elas devem obter. O resultado, no meu entender, foi meio inusitado, já que a visão local – e creio que não seja muito diferente em outros Estados – é que a empresa tem um papel eminentemente social.

É claro que as empresas têm, sim, um papel social. Mas o lucro é fundamental, já que é ele que faz com que seja saudável, continue, cresça e, ao fazer isso, acabe exercendo o papel social que a população vê nela. Mas quais são os números? Para começar, quase metade dos entrevistados acha que o principal papel da empresa é gerar emprego. E esta visão cresce com oa smais de 11% que vêm nela a junção de crescimento econômico com justiça social.

Em relação ao lucro, o motor do capitalismo e que é responsável, no final, pela manutenção, crescimento e desenvolvimento empresariais, o número dos que acham que esta é a finalidade da empresa é muito pequeno. De qualquer sorte, questionado, no caso da existência de lucro, qual deve ser a sua destinação, uma boa parcela quer que ele seja distribuído com os empregados e um número significativo acha que deve ser empregado para fazer justiça social.

Um dado curioso apontado pela pesquisa é que, quando mais informada a pessoa entrevistada, menor a percepção de que a empresa existe para gerar lucro. Nas camadas menos informadas da população, há uma maior percepção de que este é um dos objetivos empresariais. Se depender da população, os acionistas não veriam, nem de longe o lucro dado por suas empresas, já que seria, no entender dela, distribuído para os empregados, em benefícios sociais, etc. e tal.

Uma das reflexões que fiz a partir do resultado da pesquisa é que, parece, nós brasileiros temos vergonha de lucrar com uma atividade empresarial. Aqui, no Espírito Santo, chegou-se a cunhar uma epíteto para a relação do cidadão com o sucesso, principalmente o financeiro: Síndrome do Carangueijo. Explico: coloque o carangueijo em um recipiente onde, para sair, ele tenha de subir. Quando tenta fazer isso os outros, que também estão tentando escapar, acabam puxando-o para baixo. Esta seria a nossa relação com o dinheiro e com o sucesso, sempre tentando puxar para baixo que o consegue.

Não sei se é isso mesmo. A pesquisa, no entanto, torna clara a relação estranha que o cidadão tem com o dinheiro. Embolsá-lo e usá-lo em seu proveito? Nem pensar. Antes, deve ser usado no social, distribuído. Parece até que viramos todos socialistas, o que não é, nem de longe, verdade. O fato é que há, em relação às empresas, uma visão distorcida do seu papel, que também é social, mas que só se pode cumprir mediante a realização de lucro. O que temos, aparentemente, é mesmo um capitalismo envergonhado.

E você, o que acha da questão? O que deveria, no seu entender, ser feito com o lucro das empresas? A minha visão pessoal é que ele tem de existir, pois sem ele a empresa não progride. E somente com lucro é que ela, de forma efetiva, pode cumprir o seu papel, inclusive o social, de dar empregos e contribuir para o desenvolvimento.

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{ 5 conversas }

Jens outubro 1, 2009 às 2:36 pm

Oi Lino.
Vivemos numa sociedade capitalista. Portanto, ser contra o lucro empresarial, além de ingenuidade, é inútil. Isto não significa aderir à política do lucro a qualquer preço. A função social da empresa é fundamental para manter a civilização nos eixos. Gerar empregos, por exemplo, é fundamental para estimular o consumo e a produção. Afinal, sem consumidores, não existe comércio; sem este não há necessidade de produzir. Ou seja, se a fome de lucro matar a galinha dos ovos de ouro, todos perdem.

Um abraço.

Adao Braga outubro 2, 2009 às 1:39 am

Lino, deveriam também perguntar, quantos estariam dispostos a vender seus bens para salvar as empresas quando mal administrada e em processo de falência, concordata. Se concordam que ao distribuir os seus lucros, as empresas estavam também, criando meios de quando em dificuldades receber o lado social de todos os envolvidos.

DO outubro 2, 2009 às 9:33 am

Não pode existir empresa que não dê lucro,LINO. Vai contra o espírito da coisa.
Dê uma empresa no nome destas pessoas que responderam a pesquisa e DUVIDO que não mudem de idéia.

Abraços!

Carla outubro 2, 2009 às 11:22 am

Lino, acho que a grande sacada é que as empresas dividam seus lucros com quem trouxe o bolo, ou seja, seus empregados!
É aquela velha ideia, mas sempre real, de que quem trabalha satisfeito produz muito mais!
Bjo e otimo findi.

elcio tuiribepi outubro 3, 2009 às 11:15 am

OLá Lino, com certeza sem lucro as empresas não sobreviveriam, isso é fato, porém acho que o papel social mais importante delas e que muitas ainda não cumprem é retribuir aos colabordores de forma justa um pedaço do bolo, reconhecer a importãncia de seu pessoal já seria um grande passo.
Embora a maioria não faça isso, estamos tendo uma melhora devido as politicas de RH implantadas em algumas delas, já que esta prática tem sido abordadad com mais força de uns tempos para cá…um abraço na alma…bom fim de semana…

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