O QUE DIZEM OS ESTUDANTES

Um dos assuntos recorrentes no Brasil de hoje, quando se fala em educação, é a qualidade do ensino, considerada ruim, seja ele público ou privado. O que os especialistas assinalam é que estamos formando analfabetos funcionais, significando, neste caso, pessoas que embora pareçam ser educadas, pois passaram pelos bancos de escolas, na verdade não tem capacidade para ler e interpretar um texto ou, então, para formatar uma frase que seja clara e tenha nexo.

Um dos momentos que confirmam que a qualidade é mesmo ruim é quanto alunos são obrigados a escrever um texto, seja ele sobre o que for. Se olharmos na internet vamos encontrar centenas de “pérolas” atribuídas aos vestibulandos dos mais variados quilates e a alunos que prestaram um ou outro tipo de prova e que, no desenvolvimento de uma ideia, acabara mesmo foi escrevendo besteira ou dizendo algo que não faz sentido. De quando em vez, acabo recebendo um email com estas frases e, na maioria das vezes, acabo descartando-os.

Não é o que aconteceu com um dos últimos, que mostra a ideia de vestibulandos sobre o meio ambiente. Confira algumas ideias:

  • “O problema da Amazônia tem uma percussão mundial. Várias Ongs já  se estalaram na floresta”.
  • “A Amazônia é explorada de forma piedosa”.
  • “Vamos nos unir juntos de mãos dadas para salvar planeta”.
  • “A floresta tá ali paradinha no lugar dela e vem o homem e créu”.
  • “Tem que destruir os destruidores por que o destruimento salva a floresta”.
  • “O grande excesso de desmatamento exagerado é a causa da devastação”.
  • “Espero que o desmatamento seja instinto”.
  • “A floresta está cheia de animais já extintos. Tem que parar de desmatar para que os animais que estão extintos possam se reproduzirem e aumentarem seu número respirando um ar mais limpo”.
  • “A emoção de poluentes atmosféricos aquece a floresta”.
  • “Animais ficam sem comida e sem dormida por causa das queimadas”.
  • “Precisamos de oxigênio para nossa vida eterna”.
  • “Os desmatadores cortam árvores naturais da natureza”.
  • “A principal vítima do desmatamento é a vida ecológica”.
  • “A Amazônia tem valor ambiental ilastimável”.
  • “Explorar sem atingir árvores sedentárias”.
  • “A Amazônia está sendo devastada por pessoas que não tem senso de humor”.
  • “A natureza está cobrando uma atitude mais energética dos governantes”.
  • “O povo amazônico está sendo usado como bote expiatório”.
  • “Na floresta amazônica tem muitos animais: passarinhos, leões, ursos, etc”.
  • “Os dismatamentos é a fonte de inlegalidade e distruição da froresta amazonia”.
  • “O que vamos deixar para nossos antecedentes?”.

Talvez seja o caso de repetir: seria cômico, se não fosse sério. As frases, olhadas fora do contexto, são divertidas. Mas, no contexto, o que elas revelam é que os alunos que s cometeram(?) não sabem a língua, não conhecem os vocábulos, não sabem escrever e quando o fazem acabam expondo ideias sem nexo ou contraditórias. A questão, olhando-se mais de perto, é de fundo: os alunos não aprendem a pensar, transformando-se em meros repetidores mecânicos.

Tive alguma experiência com ensino e no pouco tempo em que atuei na área pude constatar, no dia a dia, a dificuldade de cada aluno em transformar uma ideia em um texto. Por que isso ocorre? Basicamente por não terem aprendido a formular uma frase, expressar um pensamento na língua escrita. Precisamos entender que, ao escrevermos, a língua ganha uma outra dimensão. E isso, infelizmente, poucos alunos sabem. O resultado é a tragédia de frases como as relacionadas acima.

O fato é que as coisas precisam mudar. Com isso, podemos pelo menos salvar as novas gerações, ensinando-as a pensar. O que você acha?

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Sobre o Autor

Jornalista, blogueiro e curioso, sempre disposto a aprender.

Conversas (3)

  1. JF :

    Lino,
    Atuei no magistério por 19 anos. Acabei desistindo por não concordar com a diminuição da autoridade do mestre, com a orientação de ensinar o aluno a responder testes (minhas provas sempre foram para o aluno escrever – nunca admiti prova com questões “múltipla escolha”). Quando parei, os computadores já estavam invadindo as salas de aula e, creio, a situação deteriorou-se mais ainda. O aluno, de forma geral, já não precisa pesquisar, ler livros, frequentar bibliotecas, ou coisas assim. Tudo está pronto no monitor. Muitas vezes, quem recolhe o material nem é ele. É a mãe ou uma secretária do escritório do pai. Não sou contra a utilização do computador. Muito pelo contrário! É um instrumento imprescindível nos dias de hoje. Porém, entendo que, antes de mais nada, o aluno precisa aprender a raciocinar. Você já reparou que, hoje, em uma loja, em um banco, em qualquer atividade, para contas bem simples, as pessoas precisam de uma calculadora? Simplesmente já não conseguem fazer operações simples, de pequenas quantidades, de somas, diviseis, diminuições, multiplicações. O pior de tudo, é que muitos professores, hoje, já não tem mais capacidade de formar frases ou de ensinar operações matemáticas. Uma das gotas de água que me levaram a desistir, foi um conselho de classe (o diretor da escola e eu) para decidir se um aluno de terceiro ano colegial deveria ou não ser aprovado. O diretor argumentou que, sendo o único professor que o havia reprovado, eu estava prejudicando o vestibular do aluno. Respondi que não. O aluno não conseguia formar frases e, portanto, não poderia ter sucesso em um vestibular, além do fato de que não poderia ter sido aprovado pelo professor de português. O diretor consultou as notas e respondeu que o professor de português havia aprovado o aluno de forma direta, sem necessidade de recuperação. óbvio! Prova de português com testes de múltipla escolha. Era só colocar o “x” no local certo, na base da pura adivinhação. Daí minha crença de que o professor de português também não conseguia formar frases e partia para a forma menos trabalhosa de corrigir provas. Era só colocar o “gabarito” sobre a folha e assinalar o que estava certo. E, assim, ficavam todos felizes: professor, aluno, diretor. Tive que acatar e aprovei o aluno. Mas, junto, entreguei meu pedido de demissão. Não deu mais!
    Abração.

  2. Luciana Farias :

    Esse tipo de coisa me dá vontade de chorar, Lino!

    É só navegar pela internet para ver que a garotada não sabe mais se expressar, é impressionante! Muitas vezes não consigo entender o que eles querem dizer. E não se pode nem colocar a culpa no ensino público: a Juliana estudou em colégio particular até a quinta série e nesse tempo todo não aprendeu a conjugar verbos. A desculpa dada era que a criança perdia o estímulo se tivesse que decorar alguma coisa. Com isso, ela também não aprendeu tabuada ou os estados do brasil e suas capitais. Por incrível que pareça, ela só melhorou quando migrou para uma escola da prefeitura, aqui perto de casa, onde o ensino é forte.

    E volta e meia nós temos que ler que as pessoas “estavão” em determinado lugar e temos que engolir… :PPP

  3. Ana Gleice :

    Pois é pessoal, concordo com a opinião de vocês!
    Me formei em Letras em 2009 e também senti muita frustação no pouco tempo que lecionei, além de haver pouquíssimo interesse por parte dos alunos, há também pouca ou nenhuma valorização pelo trabalho de professor.
    Com relação as frases, elas seriam cômicas se não fossem tristes ( desculpem o lugar comum), mas são frases que retratam a péssima educação que as crianças do nosso querido Brasil recebem.

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