O JEITINHO QUE RESOLVE

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por Lino Resende em 08/abr/2010

Detesto o jeitinho. Acho que é uma das coisas mais detestáveis no Brasil, mas eu ou você, gostando ou não, não conseguimos vencê-lo e, às vezes, como acaba de me acontecer, temos de nos valer dele para resolver problemas simples, que poderiam ser resolvidos de maneira normal, sem se recorrer a um amigo, usar influência, brigar, enfim, dar um jeitinho e, com isso, ter o caso resolvido.

Há cerca de um mês resolvi trocar os serviços de uma concessionária pública. Achei que a nova oferta que fazia era boa e poderia me atender, concentrando-o serviços dispersos em um só lugar. E foi então que a via crucis começou. Disse a mais de uma atendente – e foram várias, várias mesmos – que a empresa parecia funcionar na filosofia de Jack, O Estripador: Faz tudo por partes. E foi de parte em parte que as coisas não funcionaram, chegando a um impasse e deixando-me, por exemplo, com um telefone mudo por uma semana.

O pior de tudo, nestes casos, são os call centers. Quem o atende do outro lado da linha segue um roteiro. E para eles o sistema é deus. Se está no sistema, existe. Se não está, não existe. E não há como discutir, argumentar. O que se ouve é “Entendo”. E para por aí. Resolver, não. Marca-se, então, uma nova visita técnica, confirmada por email, mas que não ocorre. E quando se retorna a ligação ouve-se que a visita seria no dia seguinte. No final, vem a declaração definitiva: é o que está no sistema.

Não sei quantas vezes liguei tentando resolver a questão. Parei de contar. Só que precisava achar um caminho e, confesso, recorri ao jeitinho. Liguei para uma amiga, pedi o telefone de outra pessoa, que gerencia a empresa em Vitória e disse que queria falar com ele. Ela me perguntou o que era e prometeu-se que falaria com esta outra pessoa e que a situação se resolveria. O que aconteceu? Menos de 10 minutos depois do telefonema alguém da empresa ligou. E foram duas vezes em cinco minutos.

E parece que deixaram de agir como Jack, O Estripador, anunciando que os serviços serão feitos de uma só vez. O que eu conclui é que, mesmo não querendo, por cultura ou por ineficiência de quem atende, você às vezes acaba recorrendo àquilo com o que não concorda e não deseja usar. Não tenho orgulho disso, mas posso afirmar que o jeitinho funciona. Foi o que constatei. E fiquei com a certeza que, infelizmente, em alguns casos só se resolver as questões de forma rápida – o que deveria ser um padrão – recorrendo a ele.

E você, já teve ocasião em que teve de usar o jeitinho? O que acha desta tipo de comportamento? Como afirmei no início, detesto-o. Mas como estou envolvido em uma cultura que o valoriza, às vezes acabo usando-o.

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{ 6 conversas }

Carlos Emerson Jr. abril 8, 2010 às 6:43 pm

Infelizmente o jeitinho está enraizado na cultura do brasileiro. Não me lembro quando precisei usar esse “expediente” pela última vez mas, com certeza já o usei. E do jeito que a burocracia funciona (ou melhor, não funciona) neste país, vamos conviver com essa praga por mais algumas décadas.

Um abração

anunciação abril 8, 2010 às 11:25 pm

Detesto o jeitinho;as coisas deveriam funcionar direito e com eficiência para todo mundo;mas há horas que se a gente arranjar quem dê um jeitinho,dá graças a Deus por isso.Lembrei agora de uma vez que usei a palavra jeitinho e fui mal interpretada e a profissional me disse com muita raiva que não era mulher de “jeitinho”;caí das nuvens e fiquei sem ação até pra me explicar pois não havia usado a palavra com essa conotação;pior é que o problema nem era meu e sim de um pobre paciente que ficou sem a solução do problema porque eu disse pra moça que estava recorrendo a ela porque achava que ela teria um jeitinho pra resolver o caso;mas sinceramente não era esse jeitinho tão arraigado em nossa cultura,que menospreza o bom serviço ao cliente ,agindo como Jack o estripador(boa metáfora).

camille abril 11, 2010 às 10:12 am

Concordo, o taldo jeitinho é feito uma doença sem cura. O pior é que esta tao arraigado que, quando vamos para um país diferente e a coisa nao tem jeitinho acabamos por achar os gringos intransigentes. ja me vi nessa “pegadinha’ comigo mesma.
Quanto aos call center, é isso mesmo. Melhorar esse tipo de atendimento ja fez parte de minha funçao de marketeira, mas como é dificil retirar: com quém eu falo ( ela esta vendo no aparelho de CRM) boa tarde sénhor! sempre com aquela entonaçao horrivel. Eta coisa dificil,mas o nivel tb é baixissimo e rotatividade gigantesca nessa area, sem falar na neura adquirida por ficarem sentados o dia todo sem ver a luz do dia, atendendo mecanicamente. Perdoe os moços e moças.
Boa semana!
Cam

Francy´s abril 11, 2010 às 3:49 pm

Não gosto de jeitinho, mas, isto parece um virus que nunca acaba. Quando tenta matá-lo ele acaba vindo mais forte, é uma praga.
Bjs.

rocosta abril 11, 2010 às 4:32 pm

É jeitinho! É QI (Quem Indica)… Infelizmente em algum momento a gente não escapa.
Quando minha irmã viajou pela primeira vez para Europa pela Iberia… eles deram uma informação errada por telefone que causou a perda do embarque dela. Ligamos para minha cunhada na Espanha que ligou para sua amiga (poderosa) na Iberia e no outro dia minha irmã estava sendo embarcada sem nenhum ônus e com a pergunta da atendente: o que voces são da fulana de tal? Enfim, e o pior é que o tal do jeitinho não é só brasileiro.
Beijão!

Marta Bellini abril 25, 2010 às 5:23 pm

Olá, Lino! quanto tempo!

Jeitinho é filho da preguiça, neto da corrupção, sobrinho da Otoridade.

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