DE TRÁS PRA FRENTE OU IGUAL?

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por Lino Resende em 24/jun/2009

Ovo, osso, radar. Leu as palavras? Se sim, volte nelas e as leia ao contrário. Sim, elas são iguais lidas de frente para trás ou ao reverso. E estas não são únicas, tanto na língua portuguesa, quanto em outras línguas. É o que os especialistas chamam de palíndromos, que não ocorrem apenas individualmente com palavras, mas, embora mais difícil, pode ocorrer também com frases.

É um dos lados curiosos da língua, talvez uma coincidência, mesmo. E como palavras e frases “que não são, nem uma, nem outra, tão comuns“ tem um sentido todo especial. Quer alguns exemplos? Então, veja:

  • Socorram-me, subi no ônibus em Marrocos.
  • Anotaram a data da maratona
  • Assim a aia ia a missa
  • A diva em Argel alegra-me a vida
  • A droga da gorda
  • A mala nada na lama
  • A torre da derrota
  • A namorada do Manuel, leu na moda da romana
  • Anil é cor azul
  • O céu é sueco
  • O galo ama o lago
  • O lobo ama o bolo
  • O romano acata amores a damas amadas e Roma ataca o namoro
  • Rir, o breve verbo rir
  • A cara rajada da jararaca
  • Saí­ram o tio e oito Marias
  • Zé de Lima rua Laura mil e dez

Curioso, não é? Fico imaginando quem é que fica fazendo experimento para chegar a uma frase desta, principalmente aquelas que não fazem tão sentido assim. Aliás, se observarmos bem vamos ver que é apenas um exercício já que, acredito, ninguém fala assim ou constrói frases desse jeito.

No final, acaba ficando engraçado. Mas o fato é que o palíndromo existe, como também um outro tipo de acontecimento linguístico que os especialistas chamam de tautologia, um nome bonito para definir alguns vícios de linguagem, uma repetição da mesma ideia. Veja alguns:

  • Subir para cima, descer para baixo, elo de ligação, acabamento final, certeza absoluta, quantia exata, juntamente com, expressamente proibido, em duas metades iguais, sintomas indicativos, há anos atrás, vereador da cidade, outra alternativa, detalhes minuciosos, todos foram unânimes, conviver junto, fato real, encarar de frente, multidão de pessoas, amanhecer o dia, retornar de novo, empréstimo temporário, surpresa inesperada, escolha opcional, planejar antecipadamente, abertura inaugural, a última versão definitiva, comparecer em pessoa, exceder em muito.

Observe que em todos os casos uma palavra apenas confirma a outra, como em subir, que só pode, mesmo, ser para cima. Ou com há anos, que só pode ser no passado. Ou alternativa, que é sempre uma escolha sobre um determinado objeto ou causa. E estas expressões são muito comuns, como é o caso de elo de ligação. Se é elo, só pode ser de ligação, não é mesmo.

Neste caso, fica a observação: evite este tipo de expressão. Evite a tautologia e não reafirme o que já afirmou.

A propósito de palíndromos e tautologia, você conhece algum caso? Se sim, dê sua contribuição participando das conversas deste artigo.

POSIÇÃO CONTRA AS DROGAS

Blogagem coletiva contra as drogas

Amanhã, por promoção do blog CD Labo B, a blogosfera irá se movimentar falando sobre drogas e os malefícios que elas provocam. É hora de todos opinar, mostrando que este é um problema sério, que precisa ser encarado de frente.

E é em razão da importância do assunto que não só irei participar, mas deixo aqui um convite para que você também participe. Se o for fazer, vá lá no CD Lado B e deixe seu nome. Quanto maior o número de participantes, mais significativa a blogagem. E então, o que está esperando? Prepare seu post para sexta-feira, dia 26.

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{ 8 conversas }

Carla junho 24, 2009 às 5:40 pm

Como a nossa língua é rica, né, Lino?
Como fiz facul de Letras, na época de estudante, ficava deslumbrada com as coisas que eu descobria sobre a língua portuguesa!
E, referente à blogagem, quero participar!
Bjo.

fina flor junho 24, 2009 às 6:08 pm

nossa, adorei as frases, nunca tinha visto ;o), muito bacana, mesmo, essa variação

beijos, querido

MM.

Sergio Grigoletto junho 25, 2009 às 11:15 am

Lino, e a taut0logia é traiçoeira! “Repetição da mesma idéia”. Se é repetição, só pode ser da mesma.
Isso é tautologia?
E estou replicando essa postagem em meu blogue.
Muito boa!

Marcelo junho 25, 2009 às 3:35 pm

Lino, muito legal sobre o palindromo – não sabia o nome – tambem, acredito que eu não vá me lembrar …sei tambem de uma superstição argentina não usam palindromo por exemplo: eles não falavam o sobrenome do presidente Menem!

abs

DO junho 26, 2009 às 9:37 am

As palavras eu já conhecia,LINO. Mas as frases… Fiquei impressionado!!

Qto à tautologia é bem mais comum,né? Infelizmente,rss

abraços e um otimo final de semana!

Lulu on the sky junho 27, 2009 às 7:39 pm

A lingua portuguesa é tão rica né Lino? Tento evitar esses vicios de linguagem ao máximo pq é de lascar vc ouvir alguém dizendo: Vou subir pra cima, entrar pra dentro, etc.
Big Beijos

Tia Ledy junho 29, 2009 às 11:26 am

Adorei seu blog, Lino. Faz a gente refletir um bocado.
bjs da Tia

lucas setembro 15, 2009 às 9:19 pm

eu nao entendi sobre ´anil é cor azul

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