APARÊNCIA FORA DO PADRÃO

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por Lino Resende em 05/nov/2009

Desde René Descartes e o seu método cartesiano, nós, os humanos, vivemos sempre em busca de estabelecer padrões, contendo a diversidade e tornando-a “entendível”. Dizem os que defendem os padrões que eles facilitam as coisas. E é verdade, mas isso não abrange todos os campos da vivência humana e menos ainda a forma como as pessoas se mostram ou como agem. A própria humanidade, neste caso, contraria os padrões, pois embora sejamos geneticamente praticamente idênticos, somos completamente díspares na aparência, indo do branco mais branco até o negro, mais negro. E em cada segmento, com diferenças, muitas diferenças.

O mundo não é padronizado. O padrão é artificial, pois como nos mostram os furacões, tornados e terremotos a terra não é domável, enquadrável. Se em nível físico é assim, como será em relação à paisagem humana? Curioso que isso não tinha me oc, orrido até agora e só me veio a memória por estar andando na rua e, ao observar as pessoas, ter minha atenção chamada para a diferença entre elas, começando pelo modo de vestir. E este contraste ocorreu por estar, há poucos momentos, vendo fotos antigas, com todos os homens de terno e gravata e as mulheres em longos vestidos.

Tínhamos um padrão.Não temos mais. Olhe à sua volta. Veja como as pessoas estão vestidas. Embora a moda queira padronizar, não consegue. O que impera é a diferença. Veja-se o caso das mulheres. Temos algums com vestidos longos, soltos. Outras, com calças jeans. Terceiras com roupas mais executivas. Algumas, discretas. Outras, coloridas, espalhafatosas. Olhem o cabelo e da mesma forma temos mais diversidade do que padrões. Sim, as mulheres seguem a moda, mas isso não determina que sejam iguais, até por terem perfis corporais diferentes.

Em relação aos homens não é muito diferente e você pode ver ao lado de um careca – eles detestam – alguém com o cabelo rastafari. Foi o que aconteceu comigo, que vi caminhar quase que lado a lada, pessoas de terno, alguns em roupas bastantes informais e no meio deles um quase hippie, todo colorido e com um belo cabelo rasta. E ninguém, mas ninguém mesmo, que estava por perto parecia dar a menor importância à diferença. Aqui, mais uma vez, não contamos os tipos físicos, as formas do cabelo, se alguém usa ou não barba e o tipo de roupa que está vestindo.

Você já tinha atentado para isso? Acredito que sim, mas ninguém tinha chamado sua atenção. O curioso é que no meio da diversidade – e ela ocorre em todos os campos – temos padrões bem estabelecidos. Ao mesmo tempo em que procuramos enquadrar as pessoas, as coisas, elas nos oferecem as mais variadas formas e aparências. Se, por exemplo, a moda estabelece um padrão, a natureza humana a contraria. Afinal, uma minoria de mulheres é magra, alta e bonita.

A indicação de tudo isso é que o mundo não é cartesiano. Ele não se move pela lógica de Descartes. E isso acaba refletindo em toda atividade humana, começando pelas pessoas que vemos na rua em qualquer dia. Alguma dúvida? Dê uma passada em qualquer shopping na hora do almoço, poste-se em um ponto e fique observando. Você irá encontrar as mais diferentes aparências e a maioria delas será fora de padrão, aqui entendido como uniformização.

Não é interessante que, em muitos campos e aspectos, tenhamos domado o mundo, fazendo com que fique do jeito que queremos, mas não mudamos nós próprios? Será uma resposta da natureza? Não sei. O que sei é que esta diversidade humana, esta falta de existência de um padrão de aparência, a diversidade no vestir, no se comportar, me chamou a atenção e me surpreendeu. Não é que nunca a tinha visto, mas a comparação com as fotos antigas as destacou, mostrando que, apesar de todos os padrões criados pelo homem, somos diversos, diferentes.

E talvez seja exatamente a diferença que nos faz humanos.

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{ 8 conversas }

Sonia novembro 5, 2009 às 11:46 am

Oi, Lino,
Faz um tempo que não passo por aqui… :-( Mas vi que você está participando do Amigo Secreto da Meiroca, assim como eu!
O teu texto é perfeito – realmente, é claro que notamos as diferenças mas quase nunca paramos para refletirmos sobre elas. E é bom elas existam. Talvez seja esta característica, a diferença que mais nos atraia ou nos afaste de alguém? Taí… você me faz ‘racionalizar’ sobre essa questão. Não havia pensado sobre isso antes. Acho que há, no entanto, uma necessidade de se ‘padronizar’ a beleza feminina, principalmente, uma necessidade de se seguir um padrão de mulher siliconada e lipoaspirada – Aqui no RJ isso é muito forte. E como você disse, o mundo não é padronizado.
Beijos e até o mural do amigo secreto!

Jens novembro 5, 2009 às 12:32 pm

Vive la différence!

Betho Sides novembro 5, 2009 às 1:15 pm

Ola amigo Lino…
Lhe convidei para participar do Evento aqui em São Chico e não obtive resposta…E falta de tempo ou o amigo não gostaria de encontrar blogueiros amigos…?
Forte abraço
Betho

Rosa novembro 5, 2009 às 3:10 pm

Lino, o meu pai, falecido há 37 anos, adorava estacionar o carro no centro e ficar olhando as diferenças. Ele cuidava a aparência das pessoas, o que usavam o que deixavam de usar, como eram, como caminhavam e naquela época ele já dizia o perfil que as pessoas tinham, se estavam tristes, deprimidas, alegres, felizes, etc. Então, às vezes, sentada num shopping ou dentro do carro esperando o marido, faço este estudo e lembro dele.
Que bom que existem as diferenças!

O mural está bombando, vai lá.

Bjim.

Cecília Campello novembro 5, 2009 às 9:56 pm

Olá, Lino!
Quanto tempo não venho por aqui, ou mehor, que não comento, sempre veio com pressa…
Gostei do seu texto, da forma como abordou o assunto…
vivemos com as diferenças tão perto de nós, umas são mais marcantes, outras mais suaves…
Voltei a estudar e no inervalo da aula gosto de ficar obsevando as pessoas que passam de um lado para o outro, a forma como se vestem, como se comportam… é bem interessante!

Beijos

RoCosta novembro 6, 2009 às 12:48 am

Lino fazendo um curso intensivo e tive reparando essas diferenças nos quase cem alunos da sala… diversidade muita, ainda bem ;-)
Forte abraço.

Carla novembro 6, 2009 às 3:39 pm

Lino, o padrão que eu sigo, sou eu que faço.
E isso já basta, né?
Bjo e otimo findi.

Carlos Emerson Jr. novembro 6, 2009 às 3:50 pm

E o que é “normal” para nós, pode ser muito estranho na Índia, por exemplo: experimenta andar de terno no meio daquelas multidões com seus trajes típicos. Vai ficar completamente deslocado, que nem o rastafari.
Um abração.

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